Cultura

‘Vamos tentar trazer um top-10 em 2016’

Em entrevista ao SOL, João Zilhão, o director do novo Estoril Open, adianta que o ATP ficou agradado com as condições do torneio e promete tenistas mais cotados para a segunda edição. 

Ficou satisfeito?

Ainda agora estava aqui a ler os relatórios que chegaram do ATP [promotor do circuito mundial de ténis] e são todos a darem-nos os parabéns por termos conseguido num curto espaço de tempo fazer um torneio com tanta qualidade. Foi feito com muito carinho.

O que pode melhorar?

Houve queixas sobre o estacionamento e vamos melhorar a comunicação com o público em geral para perceberem que temos todas as mordomias a esse nível, como parques gratuitos e shuttles a toda a hora até à porta do evento.

Houve outra queixas?

Recebi milhares de mensagens e ainda estou a digerir tudo. Esses foram os únicos comentários negativos que ouvi. As pessoas sentiram que houve um esforço grande para manter o evento do ATP vivo em Portugal. E perceberam que esta equipa se juntou para organizar o Estoril Open por amor à modalidade, mas também com um risco muito grande.

Risco de correr mal?

Não era evidente que em três meses se poderia erguer um evento destes. O ATP está cada vez mais exigente em termos económicos e pede garantias bancárias elevadíssimas. Tivemos de juntar dois ou três milhões de euros para mostrar que estávamos em condições de assegurar este evento em 2015 e no futuro.

Quantos espectadores assistiram?

O número oficial é perto das 35 mil pessoas. Foi um sucesso. Esgotámos uma das sessões na sexta-feira e tivemos mais de 90% de afluência no fim-de-semana. Fizemos um evento mais intimista.

Que reacções teve dos jogadores?

Esteve cá o número um do ATP para a área de jogadores, Ross Hutchins, que ficou muito agradado. Também falei com vários jogadores e estavam extremamente contentes. E os cinco relatórios do ATP, com mais de 50 páginas, foram todos muito positivos.

É possível organizar um torneio feminino em simultâneo?

Não vou dizer que não será um objectivo no futuro, mas neste momento, e tendo em conta as infra-estruturas do Clube de Ténis do Estoril, seria quase impossível. Nós já utilizamos cada metro quadrado disponível com o torneio masculino.

Já trabalha na próxima edição?

Começámos esta semana a trabalhar em 2016. Vamos tentar trazer um naipe de jogadores ainda mais forte, já que toda a gente ficou à espera de um  top-10.

Algum nome sonante?

Eu apostei muito este ano em dois jogadores, o Borna Coric e o Nick Kyrgios, e não sei se eles não estarão no top-10 já para o ano. Vamos avaliar quem faz sentido trazer. Pode haver novidades.

Agradou-o o elenco deste ano?

Estou muito por dentro do mundo do ténis e sabia que íamos ter jogos fantásticos com tenistas de renome e outros da nova geração em quem aposto muitíssimo.

João Sousa ficou aquém do esperado?

O Rui Machado fez um jogo inacreditável e teve muito mérito na vitória sobre o João Sousa. Sem dúvida que naquele dia foi melhor. O ténis é isto, são dias, e acho que eventualmente o Rui poderá ser melhor jogador do que o João Sousa em terra batida. Só que o ténis tem outras superfícies.

João Sousa voltará em 2016?

O João Sousa é uma aposta do Millennium BCP, é também agenciado por um dos meus sócios [o empresário de futebolistas Jorge Mendes] e é o melhor jogador português de todos os tempos. Por estas três razões, é mais do que possível.

Richard Gasquet é um justo vencedor?

Gosto muito dele, é um gentleman dentro e fora do court. É um grande embaixador do ténis francês, com uma das esquerdas mais bonitas do mundo. Tem as pancadas todas perfeitas, em termos de técnica, e é um grande nome para ganhar aqui.

hugo.alegre@sol.pt