Sociedade

'É possível voltar atrás no Acordo Ortográfico’

Muitos activistas que defendem a língua portuguesa põem em causa a natureza do AO, apontando-lhe várias fragilidades e questionando a data em que termina verdadeiramente o período de adaptação à nova grafia. “Só a partir de Setembro de 2010 é que o referendo foi publicado em Diário da República, o que significa que o prazo de seis anos que foi estabelecido termina apenas em 2016, e não a 13 de Maio deste ano”, disse ao SOL Ivo Miguel Barroso, professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Este foi um dos argumentos apresentados na sua intervenção no fórum 'Pela Língua Portuguesa, diga Não ao Acordo Ortográfico de 1990', que aconteceu em Abril.

No ano passado, o constitucionalista chegou a avançar com uma acção judicial popular contra a aplicação do Acordo Ortográfico no ensino - subscrita pelos ex-governantes Isabel Pires de Lima, Diogo Freitas do Amaral, António Arnaut e António Bagão Félix, entre outros - que ainda não teve desfecho. “Na minha opinião, ainda é reversível porque o AO está muito mal feito, além de que Angola e Moçambique ainda não ratificaram a sua aplicação”.

A sua aplicação, defende, é inconstitucional: “O AO 90 tem inúmeras fragilidades. 'Electrónica e Electrotecnia' pode ser escrito de 32 formas diferentes sem violar o AO, o que contraria o próprio conceito de ortografia”. E dá um exemplo: “Por vezes, o AO escolhe as formas que se usam menos no Brasil. Na maior parte do território português diz-se 'perspectiva', mas com o acordo deverá escrever-se 'prespetiva', pelo que estamos a afastar-nos do próprio português que é praticado no Brasil”.

simoneta.vicente@sol.pt