Cultura

'Foi óptimo participar em Mad Max como mulher' conta Charlize Theron

Mad Max, o mega blockbuster com estreia global marcada para hoje, até poderia ter sido o filme de abertura do festival de Cannes. Até porque tinha garantido o estatuto de 'espectáculo assegurado' que havia servido de veículo em tantas outras edições.

Como é evidente, não deixa de ser por mérito próprio que é um dos eventos desta abertura em Cannes. E nem sequer belisca a sensibilidade feminina abençoada pelo sorriso de Ingrid Bergman presente no cartaz oficial.

Ainda que Mad Max - A Estrada da Fúria destile testosterona por todos os frames, num muito eficaz 3D, é igualmente correcto que em momento nenhum o papel feminino de Furiosa, a personagem interpretada por Charlize Theron, fica subjugada pelo verdadeiro Max, assegurado pelo britânico Tom Hardy a substituir Mel Gibson.

E nem sequer o facto de Furiosa, uma espécie de guerreira neste mundo apocalíptico, já ter um braço mecânico, lhe retira uma pinga de charme. Em grande parte porque é assumido por uma das poucas actrizes da actualidade que o poderia interpretar de forma convincente.

"Ao ver agora a versão final no grande ecrã senti-me como uma menina na África do Sul espantada numa sala de cinema", começou por dizer Charlize Theron no encontro com a imprensa mundial na sequência da sessão aqui em Cannes do novo Mad Max.

Aliás, quem vê o filme percebe como Furiosa nunca fica atrás de Max. "Eu celebrei todo esse potencial desde o início", respondeu Charlize ao SOL sobre o desafio de acompanhar Max neste autêntico carrossel motorizado insuflado pelos mais espectaculares efeitos especiais. 

Naturalmente, um papel que teria de estar à altura do legado deixado por Mel Gibson ao longo de mais de três décadas.  "É claro que escutei alguns rumores sobre uma personagem feminina que estaria ao lado do Max", revelou-nos. "Eu já faço cinema há algum tempo e já me vi em algumas cenas de acção", prosseguiu, "mas o George [Miller, o realizador] nunca me desapontou."

Convenhamos, para introduzir um elemento feminino na trilogia Max exigia-se mais do que um rosto bonito. Algo que a vedeta sul-africana consegue fazer com a necessária espessura, intensidade dramática e emoção qb. "Para uma actriz é muito bom, mas cumprir o que se pode é diferente," assume. "É claro que para mim foi óptimo poder participar neste projecto. Mas como uma mulher, e não tentando ser um homem."

É o que se percebe ao longo da deriva de Furiosa, um grupo de mulheres em fuga do seu senhor à busca de um paraíso ecológico perdido. O que se percebe é que Charlize procurou "celebrar tudo o que vale a pena celebrar por ser uma mulher. Não tentando colocar a personagem num pedestal, mas apenas estar rodeada de outras mulheres igualmente reais."

Resta-nos agora esperar pela sequela não anunciada ainda, mas mais do que previsível de Mad Max.