Opiniao

O Cais do Sodré de Luanda

As festas à tarde têm outro encanto, ainda para mais se forem na praia. E foi isso que vivemos no último sábado no Shogun, um restaurante-bar à entrada da Ilha de Luanda. O tempo quente, apesar do céu encoberto, convidava a uma bebida refrescante no final de tarde. O público começou a aparecer cedo, por aqui anoitece por volta das 18.30 h, e foi tomando espaço na pista improvisada. Na cabina, uma dupla de DJ impunha um ritmo forte, mas dançável, onde os sons do kuduro e afins não faziam parte da ementa. Entre o público, os mais musculados faziam questão de dar nas vistas em tronco nu, poucos, enquanto os restantes apresentavam-se em trajes de praia. À medida que a luz do dia ia desaparecendo, a rapaziada dava mostras de estar mais animada. Numa misturada de público, entre angolanos, portugueses e espanhóis, as mulheres mostravam por que razão são consideradas das mais sensuais do continente. De sorriso rápido, dançavam ao ritmo da house music como se estivessem a 'bailar' uma 'kinzombada'.

Por volta das 20 horas a festa terminou, com a pista quase cheia. À frente do sunset estava a minha amiga Helga Barroso que ia fazendo as honras da casa, circulando pelo espaço e providenciando que nada faltasse. Foram quatro horas bem divertidas ao som de boa música e que serviu para recarregar energias.

Mais à frente do Shogun, e já na Ilha, há três ou quatro bares na Marginal que começam bem cedo a servir copos. Uma boa parte da clientela que procura esses espaços começa a trabalhar bem cedo e não gosta de grandes noitadas, optando por beber um gin ao final da tarde. O mais concorrido é o Twenty, até porque a música é a melhor, segundo os padrões daqueles que gostam de uma house tranquila. Nos outros bares é o hip hop e as 'kinzombadas' que fazem as delícias do público que opta por ficar no passeio, em vez de entrar no bar propriamente dito. Digamos que à entrada da Ilha se está a 'fazer' um mini-Cais do Sodré em que as pessoas optam por beber na rua, existindo mesas e bancos de pé alto, em vez de se encafuarem no espaço fechado.

Crónica originalmente publicada na edição em papel do SOL de 15/05/2015

vitor.rainho@sol.pt