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Gosta de gin? Ela adora

Chama-se Joanne Moore, tem 40 anos, teve a sua primeira filha há apenas alguns meses e é a mulher que cria os gins para a casa G&J Distillers, nascida em Inglaterra em 1761. Considerada uma das poucas mulheres no mundo a fazê-lo, já ‘cozinhou’ três – Bloom, Berkeley Square e Opihr – desde que entrou na empresa nos anos 90, acabadinha de terminar a sua licenciatura em Bioquímica, com um estágio profissional que lhe permitia pagar o empréstimo que tinha contraído para fazer a faculdade. Do departamento de qualidade, passou para a destilaria, onde o seu nariz apurado, juntamente com os conhecimentos de bioquímica, foram a receita certa para chegar ao posto mais desejado.

E assim que chegou a ‘master distiller’ teve “um briefing em que me deram carta-branca para fazer o que entendesse! Foi espectacular. Como venho do mundo da ciência, fiz um estudo para saber quais os aromas e sabores que não estavam a ser tão explorados no mundo do gin”, disse na sua passagem por Lisboa, onde esteve presente no Lisbon Bar Show, que decorreu na Tapada da Ajuda esta semana.

Depois dos estudos chegou a dois nichos que quis explorar: os gins mais florais e os mais herbais. E assim criou o Bloom e o Berkeley Square. “Bebo um Bloom quando estou num dia como este, com sol e uma luz fantástica”, conta enquanto agita o copo de balão com a sua primeira criação e alguns morangos frescos cortados para exaltar o sabor.

“Este é o perfect serve [a maneira certa de o servir]. De facto, não gosto de ‘saladas de frutas’ dentro do copo”, brinca, fazendo alusão à grande tendência de se juntar à posteriori ingredientes à bebida – desde pimenta a pétalas de rosa. “O que se junta ao gin quando é servido deve ajudar a realçar os sabores originais e não camuflá-los como acontece quando se junta demasiadas – ou erradas - coisas”, adverte. E então o que é que bebe num dia difícil? “O Berkeley! Não é um gin fácil porque a proporção de água tónica que se junta é muito inferior a um gin normal. É quase como beber um whisky só com uma pedra de gelo”, explica. Mas Joanne não deixa Lisboa sem partilhar o seu entusiasmo com a sua última criação: o Opihr. O nome remete para uma cidade bíblica conhecida pela sua riqueza. Diz a lenda que eram enviadas dos seus portos para o rei Salomão remessas regulares de ouro, prata, sândalo, pedras preciosas e marfim. “Quisemos ir buscar esta história e criar um gin spicy”, explica. Com cardamomo, gengibre e toranja apresenta um paladar curioso: “é quase como beber um aromático prato de caril!”.

patricia.cintra@sol.pt