Opiniao

Estados de Alma

1.Emoção. Sendo o título desta coluna 'Estados de Alma' não poderia deixar passar em claro o bi-campeonato do clube do meu coração. O futebol é beleza, é espectáculo mas é (acima de tudo?) emoção. A relação com o nosso clube é especial: mudamos de nacionalidade, de cônjuge, de emprego e de partido; só não mudamos de família nem de clube. Nos últimos 25 anos o F.C. Porto tem estado sempre num patamar de qualidade e competitividade acima do  Benfica. Contudo, nos (sobretudo) últimos seis anos essa  diferença foi-se estreitando paulatinamente ao ponto de agora se poder dizer, com segurança, que ela se anulou. Mas existe um pormenor crítico: enquanto que para o Porto  a convergência ocorre com uma trajectória descendente, para o Benfica ela ocorre numa trajectória ascendente. A prolongarem-se estas tendências estou seguro que se inaugurou um ciclo de predomínio encarnado. É por isto que acredito ser fundamental renovar com Jorge Jesus, custe o que custar.


2.Comoção. Guimarães: um pai, um avô e duas crianças foram barbaramente agredidas, física ou emocionalmente, por um comandante de esquadra da PSP. Não sei se custa mais a agressão ou a desculpa, como se uma eventual cuspidela justificasse o que todos vimos. Não tenho dúvidas de que a polícia merece ser respeitada, prestigiada e fortalecida; mas com esses prestígio, respeito e força vem necessariamente uma enorme responsabilidade cívica. É para proteger este equilíbrio e a própria PSP que este caso tem de ser tratado de forma exemplar e célere. Um bom exemplo seria a suspensão imediata e preventiva do graduado envolvido. Não se trata de desrespeito pela presunção de inocência mas, tão somente, de fazer apelo a dois dos motivos que justificam prisões preventivas: protecção do bom rumo da investigação e o alarme social. 

3.FMI. Foi divulgado na passada segunda-feira mais um relatório do FMI sobre Portugal. O relatório causou bastante mal-estar no governo e algumas das recomendações que avança são, sem dúvida, controversas. Mas a razão do mal-estar é que o diagnóstico contrasta com a visão eufórica apresentada no site do Governo  relativamente às 20 (!) reformas estruturais levadas a cabo. O relatório apresenta o ponto de situação num quadro muito singelo que reproduzo com a devida vénia: