As praias invadiram a cidade

Estão a chegar os dias de maior calor e, nas cidades, há cada vez mais alternativas às praias convencionais, com tudo a que os veraneantes têm direito. As praias artificiais tornaram-se um sucesso e já para este Verão Lisboa tem planeada uma segunda praia urbana, desta vez em Belém e com vista para o Tejo. …

Segundo Fernando Ribeiro Rosa, presidente daquela Junta de Freguesia, o local da praia urbana, com direito a areia e espreguiçadeiras, já está escolhido: será no Terreiro das Missas, a seguir ao Museu da Electricidade, entre a Doca de Belém e a Estação Fluvial. O objectivo do projecto – orçado inicialmente em 50 mil euros, mas que ainda está a ser ultimado – é, além da recuperação do espaço, o financiamento de outros projectos locais. 

Com 2.800 m2, esta nova praia urbana de Lisboa, inspirada nos  projectos de Paris e Bordéus, terá forma de meia-lua em areia, dois repuxos para os visitantes se refrescarem sobre a relva, uma faixa com espreguiçadeiras e uma zona com mesas, cadeiras e chapéus de sol. «A ideia é que a praia, com um bar móvel e um concessionário, esteja aberta todo o ano» e que receba «eventos empresariais, outra fonte de receitas para os projectos da autarquia», revela o presidente da Junta.

Esta é a segunda urban beach de Lisboa depois de, em Agosto do ano passado, ter sido inaugurada a do Jardim do Torel, na freguesia de Santo António. Recuperou  a memória dos lagos da cidade, onde em tempos os lisboetas 'iam a banhos' nos dias mais quentes e oficializando uma prática que sempre existiu: a dos miúdos que mergulham no lago. «Eu próprio o fiz quando era pequeno», conta o presidente da Junta de Santo  António, Vasco Morgado.

À volta de um lago com uma  profundidade entre  90 centímetros e um metro e meio, a praia foi um sucesso: em apenas um mês, recebeu 80 mil visitantes. Este ano, a praia do Torel, com capacidade para cinco mil pessoas, vai abrir novamente e com actividades ao longo do dia durante o mês de Agosto – como cinema ao ar livre, aos fins-de-semana. 

Ondas longe do mar
Mas Lisboa está longe de ser a primeira cidade portuguesa a ter espaços dedicados aos banhistas. 

Em 2011, Mangualde, no distrito de Viseu, abriu a sua Live Beach, apresentada como a primeira «praia artificial da Europa». Com capacidade para receber 1.200 veraneantes por dia, o espaço – que tem uma área de 22.500 m2 de areia e piscina de água salgada – ficou no ano passado bastante aquém deste número: recebeu em média 350 pessoas por dia, «longe das 700 registadas noutros anos», lamenta Rui Braga, gestor do recinto, que atribui a fraca afluência ao mau tempo verificado em 2014. «Em 2015, esperamos que o Sol brilhe durante as férias, para poder voltar a essa média», assume o gestor. 

Já a partir de 13 de Junho será possível visitar novamente esta praia. Os preços são idênticos aos do ano passado – 4,50 euros por adulto. Os visitantes podem esperar um «conceito renovado» na praça de restauração, «festas e eventos», que se prolongam pela noite e grandes espectáculos, «à semelhança do concerto do Anselmo Ralph, no ano passado». 

Mais a Sul, em Castanheira de Pêra (distrito de Leiria), fica a Praia das Rocas, «o maior complexo fluvial com ondas artificiais da Península Ibérica», como é apresentada na sua página.

Inaugurado em Julho de 2005, o recinto tem como grande novidade para esta época balnear espectáculos diários gratuitos de aves e répteis. Além disso, avança José Pais, administrador da Praia das Rocas, haverá um reforço em termos de equipamentos de animação e de sessões de 'aquazumba' e hidroginástica.

Castelo Branco: a mais antiga
Também a Praia das Rocas, diz o responsável, sofreu com o mau tempo do Verão passado: «Tivemos uma média diária em todo o mês de Agosto superior a 1.500 entradas, devido às condições climatéricas muito pouco favoráveis». 

Em Junho e Setembro, a média foi mesmo inferior a 200 utentes e em Julho a 700. Este Verão, esta praia de ondas a 80 km do mar, com capacidade para 2.000 a 2.500 visitantes, abrirá a 30 de Maio, com preços à roda de 6,5 euros por adulto. 

Mas a mais antiga das praias artificiais é a piscina-praia de Castelo Branco, gerida pela empresa municipal Albigec. Aberta desde 2004, ocupa uma área de mais de 1.5 hectares e tem uma área de água de 3.300 m2 – com  uma zona de ondas, jactos de água nas zonas laterais, um cogumelo com efeito chuveiro e um escorrega. O ingresso para um adulto custa 3,25 euros e tem a particularidade de as pessoas entrarem na água da mesma forma como se faz na praia: sem degraus. 

Na época balnear de 2015, o complexo municipal que integra a piscina-praia de Castelo Branco vai passar a dispor de «uma área (em areia) para a prática desportiva recreativa e de mais área relvada envolvente, que atingirá os 9.000 m2», adianta João Carvalhinho, da Albigec.

Durante a época balnear, em diferentes dias e horários, há animação com aulas de 'aquazumba', hidroginástica, 'bodycombat' e expressões plásticas para os mais novos.

sonia.balasteiro@sol.pt

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