Desporto

Finais ao cair do pano

Um só homem decidiu as mais recentes conquistas da Taça de Portugal pelo Sporting e a única que foi parar a Braga. Uns mais surpreendentes do que outros, estes heróis do Jamor são todos avançados e colocam o foco da final de domingo (17h15, RTP 1 e SportTV 1) em Slimani, Montero e Tanaka, de um lado, e em Éder e Zé Luís, do outro.

Das 15 Taças que o clube de Alvalade colecciona - menos uma do que o FC Porto e a dez do Benfica -, as últimas quatro saíram dos pés de Iordanov (1995), Jardel (2002), Liedson (2007) e Tiuí (2008), um habitual suplente que está para este troféu do Sporting como Kelvin para o campeonato ganho pelos 'dragões' em 2013: pouco ou nada fizeram antes e pouco ou nada fizeram depois.

Bem mais influente no Sp. Braga era o argentino Miguel Perrichon, que em 1965/66 marcou o golo solitário da final frente ao Vitória de Setúbal e deu aos minhotos a única Taça de Portugal da sua história. Desde então, o clube marcou presença no Jamor noutras três ocasiões, perdendo duas para o FC Porto (1988 e 1998) e outra para o Sporting (1982), por expressivos 4-0.

Nesse ano os 'leões' juntaram o Campeonato à Taça, antes de iniciarem uma travessia do deserto que, até aos dois golos de Iordanov na final da Taça de 1995, apenas contemplou a Supertaça de 1987. Hoje, o jejum de títulos ainda não chega a tanto mas está perto: o Sporting não conquista um troféu desde a Supertaça de 2008.

O bicampeão Benfica não sofre do mesmo mal nos tempos que correm. E antes do jogo no Jamor, que encerra a temporada em Portugal, poderá acrescentar mais um troféu ao museu. A final da Taça da Liga, competição que os 'encarnados' já ganharam por cinco vezes em sete edições, joga-se hoje em Coimbra (19h45, TVI), com o Marítimo do outro lado, à procura de fazer história: com excepção de títulos da segunda divisão, os madeirenses não conquistam um troféu desde 1926, quando venceram o Campeonato de Portugal (prova disputada em sistema de eliminatória que antecedeu a Taça de Portugal).    

Treinadores em suspenso

Mesmo que o Sporting ganhe no Jamor e cumpra assim os objectivos mínimos para a época definidos pelo presidente Bruno de Carvalho - que passavam também pelo terceiro lugar no campeonato e acesso à pré-eliminatória da Champions -, é bastante improvável, para não dizer impossível, a continuidade de Marco Silva.

Apesar dos três anos de contrato que ainda restam, nem o líder leonino nem o treinador têm intenção de prolongar o casamento, embora os termos do divórcio se afigurem como um obstáculo ao desejo comum. Em jogo está não apenas o valor da indemnização, mas outros 'detalhes' como a possível inclusão de cláusulas que impeçam o técnico de trabalhar noutros clubes portugueses nos próximos anos.

Quem toma a iniciativa é outro pormenor importante, pois determinará qual das partes terá de pagar a indemnização. Não é certo que vai ser o Sporting a dar o primeiro passo, uma vez que há clubes interessados em Marco Silva - o Sevilha, sabe o SOL, surge como um destino possível se Unay Emery sair.

No caso de Jorge Jesus, a situação é diferente. O treinador mantém uma relação próxima com Luís Filipe Vieira e o principal entrave à renovação de contrato prende-se com a revisão salarial em baixa que o clube quer fazer.

A favor do Benfica joga a vontade de Jesus permanecer em Portugal - a não ser que surgisse uma “proposta irrecusável”, do ponto de vista desportivo e não financeiro, como adianta ao SOL fonte próxima do técnico -, mas pode não chegar. O presidente está irredutível na necessidade de poupar na folha salarial do treinador, assim como este continua firme em não abdicar dos quatro milhões de euros anuais que recebe.

No meio deste braço-de-ferro, a que o Benfica quer pôr cobro na próxima semana (Rui Vitória está de prevenção), o Sporting mantém-se à espreita. Em semana de finais, os contactos dos 'leões' com Jesus não conheceram desenvolvimentos.  

rui.antunes@sol.pt