Opiniao

Inquérito lista VIP: Fisco mais papista que Papa

Afinal, o inquérito organizado pela Inspecção Geral de Finanças do caso da lista VIP do Fisco era uma treta: a sua autora, segundo leio hoje num jornal há menos de um ano adjunta de um secretário de Estado colega de Paulo Núncio no mesmo Ministério, só poderia mesmo querer ilibá-lo. E talvez até culpar a oposição pelos actos mais publicamente criticáveis deste Governo.

O problema é quando se procuram pessoas tão amigas para nos ilibarem, que elas se enchem de um entusiasmo mais papista do que o Papa, e acabam por nos prejudicar. Foi assim neste caso: o inquérito ilibou Paulo Núncio assegurando a sua irresponsabilidade total no departamento das Finanças, com dados a demonstrarem não ter ele ideia do que se passa sob a sua (ir)responsabilidade. E deu-lhe argumentos para ainda criticar o ex-Governo do PS (ou serão os do PSD anteriores a esse?) pelo que o Fisco fez agora, em fim de festa deste Executivo.

Moral da História: para nos sairmos bem, evitar sempre apoiantes mais papistas do que o Papa.

Se o Fisco já era antes um terror (como disse recentemente a ministra da Agricultura numa entrevista, ‘receber uma carta das Finanças até mete medo’) – imagine-se agora, assim ao Deus dará...