Economia

Comércio de rua ganha nova vida

Lisboa e Porto estão cada vez mais atractivas para as grandes marcas internacionais, com as ruas das duas cidades a serem destino de eleição para compras de turistas e residentes. O mix comercial tem sido uma das atracções para clientes e novos operadores, e as grandes marcas internacionais e cadeias nacionais disputam as melhores localizações da capital portuguesa e da Invicta.


Segundo a 4.ª edição do seu 'Business Briefing', da Cushman & Wakefield - feito este ano -, a cidade de Lisboa tem 60% da área ocupada por grandes marcas nacionais e internacionais e 40% por unidades independentes. Já no Porto os retalhistas independentes ocupam cerca de 57%, as cadeias nacionais 25% e os operadores internacionais ocupam 18% da área total.

Na verdade, Lisboa ganha em qualidade e oferta. A taxa de desocupação é de 9% e o peso das marcas internacionais é de 36%. No Porto a taxa de desocupação é de 12,5%.

Mas é na Invicta que se encontra o maior volume de área de venda, com 207 mil m2, contra os 156 mil m2 de Lisboa. A capital apresenta, contudo, o maior número de lojas (949), contra as 930 da Invicta. Na 'capital do Norte' as três maiores ruas concentram quase metade da oferta da cidade. Mais de 100 mil m2 e quase 350 lojas estão centradas na rua de Santa Catarina, na Sá da Bandeira e na Fernandes Tomás.

Avenida da Liberdade, a rainha do comércio

De volta à capital, a Avenida da Liberdade é a artéria com maior oferta: 27 mil m2 de área de venda distribuídos por 89 lojas. Seguem-se a rua Augusta (18 mil m2) e a rua Garrett (14 mil).

O comércio de rua de Lisboa tem vindo a subir e neste momento concentra-se sobretudo na zona histórica e divide-se em quatro subzonas que se estendem desde a Avenida da Liberdade até à Baixa-Chiado e à Praça do Comércio.

O comércio de rua da capital teve um aumento de 6.000 m2 face a 2011, traduzidos em 70 novas unidades comerciais. De acordo com o estudo da Cushman & Wakefield, este aumento deve-se também à reabilitação de edifícios inutilizados ou mal aproveitados.

A Baixa mantém-se como a zona que conta com maior espaço ainda disponível, cerca de 8.500 m2 distribuídos por 93 lojas. Seguem-se o Chiado com cerca de 3.000 m2 desocupados e a Avenida da Liberdade com menos de 2.000 m2. Nos Restauradores e no Rossio apenas se encontram livres pouco mais de 500 m2 de espaços comerciais.

Ainda em Lisboa, 96 mil m2 são ocupados pela moda e restauração, 61% da área (298 lojas de moda e 170 restaurantes). O Rossio tem o maior peso do sector da restauração e a Avenida da Liberdade concentra a moda.

A avenida que vai do Marquês de Pombal aos Restauradores é a artéria de excelência para compras de artigos de luxo (73% das marcas são internacionais) e o Chiado (42% de marcas internacionais) é sobretudo vocacionado para um público jovem.

Na Invicta, o comércio de rua concentra-se no centro da cidade e divide-se também em quatro subzonas que se localizam no Centro Histórico, Baixa, Cedofeita e Clérigos e no centro de negócios da cidade, a Avenida da Boavista.

O principal comércio de rua do Porto representa 170 mil m2, distribuídos por 846 lojas, não havendo crescimento desde 2011. Mas uma das zonas, a dos Clérigos, teve um aumento de 36 mil m2 e 84 novas lojas já este ano.

A Baixa do Porto concentra quase metade da oferta, 400 lojas, oferta que se manteve constante nos últimos três anos. Também nesta cidade a moda (281 lojas) e a restauração (115) dominam.

Tanto em Lisboa como no Porto, o comércio de rua renasceu nos últimos anos e prevê-se crescimento para os próximos.

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