Opiniao

A previsibilidade necessária

Nos últimos quatro anos, Portugal viveu uma situação excecional. Em 2011 o défice real era superior a 11% do PIB o estrangulamento financeiro do nosso país levou a mais um pedido de intervenção como consequência da impossibilidade de financiamento nos mercados internacionais. Vimo-nos, de uma maneira geral, num beco sem saída.

A previsibilidade necessária

Este governo assumiu a difícil responsabilidade de levar por diante um conjunto de medidas impostas por forma a cumprirmos com quem nos emprestou dinheiro e, ao mesmo tempo, tentar introduzir um conjunto de políticas do seu cunho pessoal para que no futuro Portugal criasse condições para não voltar a depender de auxílio externo.

Ao longo destes últimos quatro anos, da parte da oposição, não ouvimos nada que não fosse com o intuito de ver o governo falhar e colocar Portugal numa situação ainda mais difícil junto dos seus parceiros internacionais e, mais importante, colocar os portugueses ainda com mais pressão, sofrimento, incerteza e desespero.

Expressões como “espiral recessiva”, “novo programa cautelar”, “segundo resgate”, “roubo” e “esbulho” foram diariamente, ao longo destes quatro anos, uma constante na boca da oposição. A estratégia era simples. Criar o pânico e fazer sofrer ainda mais aqueles que, por culpa de vários políticos e várias políticas que antecederam este governo, se viram no desemprego, a braços com dificuldades, obrigados a sobreviver. A estratégia correu-lhes mal.

Fechámos o Programa de Assistência Económico-Financeira, sem necessidade de recorrer a um segundo resgate ou, sequer, a um programa cautelar. As contas públicas recuperam e o défice ficará este ano abaixo de 3%, saindo Portugal, pela primeira vez, do procedimento por défice excessivo. O País financia-se nos mercados internacionais a taxas de juro historicamente baixas, nalguns casos até negativas, permitindo o início dos reembolsos antecipados ao FMI. O défice público diminuiu em mais de 12,4 mil milhões de euros, dos quais 8,5 mil milhões se ficaram a dever à redução da despesa, e isto sem contar com a despesa certa que o atual governo conseguiu evitar, por exemplo, através da renegociação das parcerias público privadas.

Pelo segundo ano consecutivo Portugal retomou o crescimento económico. O rendimento disponível das famílias está a aumentar. O desemprego reduziu-se de 17,5% para 13,0%, ao mesmo tempo que a criação de emprego aumenta.

Portugal mudou. Com sacrifício. Mas mudou.

Não me surpreende por isso, que as linhas programáticas da coligação sejam previsíveis, como na noite de ontem, e durante o dia de hoje, ouvimos comentarem. É uma previsibilidade necessária. Sabemos bem o que contamos com Passos. Manter o rumo, reganhar liberdade e autonomia. Paulatinamente, com rigor, mas com a esperança que nos roubaram em 2011.

O PS lançou, ontem à noite, a versão final do seu programa. A “Alternativa de Confiança”. Acusam o governo de “burla política” e dizem que chega de “mais quatro anos de aventuras e experimentalismos radicais”.

Mantêm a tónica do ataque e do disfarce. Mas não explicam como executarão as medidas que propõem. A burla é do governo, dizem, mas foi com governos liderados por eles que recorremos por três vezes à assistência financeira internacional. 

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