Opiniao

Jorge Jesus e o milagre da betaria.

Confirma-se. O Jesus vai mesmo para o Sporting. Mas isto não vai ser um processo fácil e vai exigir uma série de adaptações de ambas as partes. Antes de mais, é preciso não esquecer que, a partir de agora, o Jesus não saiu dos vermelhos, saiu dos encarnados.

Agora, o primeiro passo de Jesus será cortar o cabelo à beto e apostar no risco ao lado com uma franja a tapar um dos olhos. Vai adoptar um pólo verdinho aos ombros e aquele sapato de vela que não desilude, deixando de lado o fato de treino e a chuteira. Ainda ao nível do calçado, agora na pré-época pode apresentar-se mais descontraído com umas paez e, ao longo da época, usar umas Merrell para as provas mais duras. Sim, porque o beto também sabe ser arrojado. Além disso, irá para os treinos em Alcochete atravessando o Tejo no seu veleiro e prosseguindo o percurso na margem sul a cavalo.

Outro passo obrigatório, mas desta vez para a mulher de Jesus, é o lançamento de uma marca de bikinis, de páreos ou de turbantes, tudo muito colorido e divertido. Hoje em dia, as betas mais ricas precisam de mostrar ao mundo que não são umas dondocas que vivem à custa dos maridos e que conseguem lançar os seus próprios negócios supê empreendedores, mesmo que seja com o dinheiro dos ditos.

Depois, há a questão do trato dos jogadores. Há que passar a tratá-los por você. “William, saia lá do Docks, que ainda por cima é supé da plebe, porque já é tarde e amanhã há treino! Adrien querido, esse nome de emigrante é horrível. Vou tratá-lo por Adrien Maria para atenuar. Jefferson, vi a sua mulher com um bikini comprado numa barraca da Costa de Caparica. Vamos lá subir o nível que o menino já não vive em Fortaleza. Passe na Cantê e ofereça-lhe um bikini às flores e com folhos!”.

Uma questão mais delicada para Jesus será a mudança de amigos. Não se vai poder continuar a dar com o taxista Jorge Máximo, por exemplo. Quando muito, arranja um amigo que seja motorista do Uber de luxo. O Barbas então nem se fala. Além daquele aspecto miserável, alcunhas como Barbas, Zé Naifas ou Paulinho dos Telemóveis é coisa de bairro social. Vamos lá puxar por um Kiko, um Sebas ou um Gongas.

Enfim, esta mudança não se adivinha nada fácil. Não é de um dia para o outro que se troca o coirato pelo carpaccio de vitela em cama de rúcula confitada, o vinho de pacote pelo gin de aquário com pimenta rosa e bagas de goji lá para dentro ou até a praia de Carcavelos pela de S. João.

Mas nada é impossível e tudo se tornará mais fácil se mudar o nome para Jorge de Jesus.