Economia

Governo entrega TAP a David Neeleman por 354 milhões

O candidato David Neeleman venceu a corrida à privatização da TAP. A informação foi avançada oficialmente pelo Governo no final do Conselho de Ministros desta quinta-feira.

A secretária de Estado do Tesouro revelou que a proposta global do americano atingiu 354 milhões de euros, um montante que poderá ascender a 488 milhões de euros em função da performance da companhia aérea no decurso deste ano. 

Este valor corresponde a 61% da TAP. Os outros 5% agora privatizados serão entregues aos trabalhadores. David Neeleman tem a opção de comprar os restantes 34% daqui a dois anos.

O acréscimo de preço “depende da forma como os resultados operacionais vão comportar-se em 2015. De qualquer maneira é algo que só terá lugar no momento da concretização da opção de compra”, explicou Isabel Castelo Branco, sem revelar quais os objectivos traçados para o desempenho da transportadora.

Já o secretário de Estado dos Transportes explicou que o encaixe imediato para o Estado é de 10 milhões de euros pelas acções da TAP. Está ainda em aberto a possibilidade de cotar a companhia na bolsa.

Para Sérgio Monteiro, “o valor do encaixe para o Estado é reduzido, mas importante”. Isto porque, no actual cenário, e de acordo com as avaliações financeiras realizadas à companhia, o valor da TAP é actualmente negativo entre 274 milhões de euros e 512 milhões de euros.

Assim, “a privatização é de todos os pontos de vista um sucesso”, afirmou Sérgio Monteiro, repetindo que “a companhia tinha o futuro imediato ameaçado”.

“Quinze anos depois de muitos terem tentado, finalmente chegámos ao dia em que a TAP foi privatizada”, congratulou-se.

Compromissos da proposta do consórcio Gateway

O consórcio Gateway, formado por David Neeleman e Humberto Pedrosa, compromete-se a “manter a sede e a direcção operacional da companhia em Portugal, as ligações-chave [rotas] e o serviço mínimo por um período de 10 anos”.

Sérgio Monteiro realçou ainda que o ‘hub’ permanecerá em Lisboa por um período de 30 anos. “A manutenção do ‘hub’ potencia o desenvolvimento económico”, justifica.

O Executivo assume que o incumprimento destas garantias “será penalizado por multas diárias, existindo mesmo a opção de cancelamento da compra”. Ou seja, “o negócio poderá ser revertido”.

“Está ainda assumido o compromisso inequívoco de estabilidade laboral nos mesmos termos” que existem actualmente, precisou o governante, frisando que os acordos de trabalho serão cumpridos pelo candidato.

A proposta de Neeleman recebeu o parecer unânime de “maior mérito” quando comparada com a de Germán Efromovich. “Ambas as propostas são viáveis para apoiar a TAP na concretização do plano estratégico mas a proposta do consórcio Gateway atende de forma mais rápida os desafios que a empresa tem de enfrentar no curto prazo. Representa mais dinheiro e mais cedo no tempo para fazer face aos desafios de tesouraria actuais”.

O empresário tem uma vasta experiência na aviação, tendo sido responsável pela criação de quatro companhias aéreas, a Morris Air e a JetBlue, nos Estados Unidos, a WestJet no Canadá e a Azul no Brasil. A Azul Linhas Aéreas é a terceira maior companhia brasileira.

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