Internacional

Rolou um clima

Elmau, nos Alpes da Baviera, foi o cenário idílico escolhido para acolher a cimeira do G7, o grupo de países mais industrializados. O ar puro da montanha terá inspirado os líderes a chegarem a um acordo positivo no que se refere ao ambiente do planeta. E a avaliar pelas imagens, a tensão entre Angela Merkel e Barack Obama por causa das escutas da secreta norte-americana ao telemóvel da líder da Alemanha está ultrapassada.

Seguem-se sete temas abordados durante a cimeira que terminou na segunda-feira.

Contra o aquecimento

Sem entrarem em pormenores sobre como atingir as metas, os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, Itália, França, Japão e Reino Unido subscreveram o compromisso de baixar até 2050 as emissões de gases com efeito de estufa entre 40% e 70% em relação aos valores de 2010, tal como advogam as Nações Unidas para evitar um aquecimento global superior a 2ºC.

Merkel queria um objectivo mais ambicioso e anunciar a meta de economias com emissões zero de carbono. Mas o canadiano Stephen Harper e o japonês Shinzo Abe mostraram-se contra e lutaram por um comunicado o mais vago possível. “Ninguém vai começar a fechar fábricas ou a apagar as luzes”, afirmou Harper, pondo água na fervura. Em Dezembro, Paris recebe uma conferência sobre o clima e o apoio do G7, ainda que pouco concreto, não deixa de ser um importante sinal.

Renováveis em África

Ainda relacionado com as alterações climáticas: os sete acordaram em financiar o Fundo Verde do Clima de forma a que a partir de 2020 esse mecanismo da ONU tenha 100 mil milhões de dólares anuais para apoiar os países mais afectados. Uma das prioridades é acelerar o acesso às energias renováveis em África.

Fim à pobreza extrema

O G7 quer que em 2030 a pobreza extrema seja coisa do passado. Para tal compromete-se a actuar nos campos da saúde, da segurança alimentar, da protecção marítima, de cadeias de distribuição sustentáveis e no fortalecimento do papel das mulheres na economia. Também nesse ano, deverá haver menos 500 milhões de pessoas com fome ou malnutridas.

Putin à sobremesa

País excluído deste foro em 2014 (então G8) devido à anexação da Crimeia, a Rússia foi tema quase único do jantar de domingo passado. “Ou continua a destruir a economia do seu país e com o isolamento da Rússia em busca de um desejo equivocado de recriar as glórias do império soviético, ou reconhece que a grandeza da Rússia não depende de violar a integridade territorial e a soberania de outros países”, disse Obama de Putin. O comunicado final ameaça com mais sanções caso não haja progressos na Ucrânia, mas também anuncia a suspensão das existentes caso Moscovo mude de política.

Repensar o Iraque

O Presidente norte-americano reconheceu que a luta contra o Estado Islâmico está longe de ser um sucesso. Além de ter referido ser necessário mais militares treinados e bem equipados, afirmou que falta uma “estratégia completa”. Os chefes de Estado do Iraque, Nigéria e da Tunísia deslocaram-se à cimeira para pedirem ajuda internacional no combate ao terrorismo.

Pressão sobre Atenas

Barack Obama também não se furtou a prestar declarações sobre as negociações entre Atenas e os credores. Por duas vezes falou no assunto. Primeiro, ao dirigir-se a Merkel, sublinhando a importância de se chegar a uma solução que “não cause volatilidade nos mercados”. Depois, ao dizer que a Grécia tem de tomar “decisões difíceis que serão benéficas a longo prazo”.

Cameron desdiz-se

Numa pirueta com menos de 24 horas, o primeiro-ministro David Cameron foi outro protagonista do G7. No domingo passado disse que não havia lugar no Governo para ministros que não apoiassem a permanência do Reino Unido na UE no referendo a realizar. Na segunda-feira declarou ter sido mal interpretado, após 50 deputados conservadores terem ameaçado fazer campanha pela saída da União Europeia caso a negociação com Bruxelas não corra de acordo com as expectativas. 

cesar.avo@sol.pt

Cepticismo em Estrasburgo