Desporto

Homens da táctica enfrentam 'tsunami'

Não é só a saída de Jorge Jesus do Benfica para o Sporting ou a passagem de Rui Vitória de Guimarães para a Luz. Há uma onda de mudança nos clubes da 1.ªLiga: 11 dos 18 vão ter novo treinador.

Os despedimentos de Marco Silva do Sporting e de Sérgio Conceição no Sp. Braga – em ambos os casos com os clubes a avançarem com processos disciplinares tendo em vista a rescisão por justa causa – desencadearam um duplo efeito de dominó.

A chegada de Jesus a Alvalade abriu a porta da Luz a Rui Vitória, que por sua vez deixou Armando Evangelista em posição privilegiada para assumir o comando do Vitória de Guimarães, embora não esteja garantida a promoção do treinador da equipa B dos minhotos – há contactos para encontrar outra solução.

Já a saída de Sérgio Conceição do Sp. Braga, na sequência de violenta discussão com o líder do clube, António Salvador, vai levar Paulo Fonseca de Paços de Ferreira para a cidade dos arcebispos, apurou o SOL. Ocontrato é de duas temporadas e confirma que a carreira do treinador está de novo em ascensão, depois da passagem infeliz pelo FCPorto.

Para o lugar de Paulo Fonseca, o Paços de Ferreira está perto de promover o regresso ao futebol português de Carlos Carvalhal, que tem andado pela Turquia desde que deixou o Sporting em 2010.

Outro ex-técnico dos ‘leões’ que está de volta após uma incursão pela estrangeiro é Ricardo Sá Pinto. Demitido em 2012, rumou primeiro à Sérvia e depois à Grécia, para agora regressar ao leme do Belenenses.

Os ‘azuis’ do Restelo viveram uma época conturbada, fruto de divergências entre o presidente da SAD Rui Pedro Soares e o técnico Lito Vidigal, que em Março motivaram a saída deste e a entrada de Jorge Simão (ex-Mafra) para o seu lugar. Mas no plano desportivo os resultados não se ressentiram, com o apuramento para a Liga Europa a ser alcançado na última jornada do campeonato, e Sá Pinto, já antes comprometido com o clube, surge como a nova aposta para 2015/16.

Lito Vidigal, por seu lado, não ficou muito tempo desempregrado e vai substituir no Arouca Pedro Emanuel, de partida para os cipriotas do Apollon de Limassol.

Quem também não resistiu à mudança foi o Vitória de Setúbal, que tal como o Arouca se viu envolvido na luta pela manutenção até às últimas jornadas. Os sadinos escolheram para o lugar de Bruno Ribeiro o homem que subiu pela primeira vez o Tondela à 1.ª Liga, Quim Machado.

Apanhado neste ‘tsunami’ de trocas de treinadores, o campeão da 2.ª Liga recuperou para o cargo Vítor Paneira, o ex-jogador do Benfica que já tinha orientado a equipa da Beira Alta de 2011 a 2013. E o outro clube que acompanha o Tondela na ‘viagem’ até ao escalão principal, o União da Madeira, aproveitou a onda e contratou Norton de Matos para colmatar a saída de Vítor Oliveira.

Manuel Machado, o resistente

FCPorto, Nacional, Moreirense, Rio Ave, Boavista, Marítimo e Académica são os clubes que contrariam a tendência. Julen Lopetegui, Manuel Machado, Miguel Leal, Pedro Martins, Petit, Ivo Vieira e José Viterbo continuam a merecer a confiança dos dirigentes, sendo que os dois últimos não iniciaram a época que agora terminou. Com a saída de Jesus do Benfica, Manuel Machado passa a ser o campeão dos resistentes, ao manter-se à frente do Nacional desde Outubro de 2012.

Num impasse quanto ao futuro do próprio clube, o Estoril é um caso à parte no que toca à escolha do treinador. Com a saída de cena da empresa brasileira Traffic e a possível reaquisição da SADpara o futebol por parte do empresário João Lagos, tão depressa não haverá definição da equipa técnica para a nova época. A única certeza é que Fabiano Soares não vai continuar.

rui.antunes@sol.pt