Economia

Oferta do CaixaBank ao BPI ainda está de pé?

Fernando Ulrich garante que sim. Para o presidente do BPI, a oferta pública de aquisição (OPA) lançada pelos catalães do CaixaBank não fica comprometida com o resultado da assembleia-geral desta manhã. “A oferta está de pé, está viva”.

 

Os accionistas do BPI votaram hoje contra a desblindagem dos estatutos do BPI, uma alteração essencial para que a OPA sobre o BPI tenha sucesso.

O fim dos limites de voto no banco é fundamental para que os accionistas possam ter direitos de voto idênticos à participação social que detêm no banco. Os catalães têm 44,1% do capital do BPI, mas só exercem direitos de voto correspondentes a 20%.

Na reunião realizada hoje em Serralves, os accionistas do BPI votaram contra essa mudança nos estatutos, o ponto único em votação. Na assembleia estiveram presentes ou representados 223 accionistas, detentores de acções correspondentes a 81,73% do capital social, de acordo com o comunicado enviado pelo banco à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários.

O fim aos limites dos direitos de voto exigia a aprovação de 75% dos votos expressos, mas recolheu apenas 52,45%. Esta deliberação constava na ordem de trabalhos da assembleia-geral anual realizada a 27 de Abril, tendo o seu adiamento sido proposto pelo chairman do BPI, Artur Santos Silva. Hoje, esse ponto foi votado e chumbado.

O CaixaBank oferece 1,329 euros por acção, um valor considerado manifestamente baixo pela Santoro, o segundo maior accionista do BPI. A OPA recebeu desde o início o voto contra de Isabel dos Santos, despoletando um diferendo entre angolanos e catalães. A Santoro defende a fusão entre o Millennium bcp e o BPI como a solução que cria maior valor para os accionistas.

Mário Silva, representante da Santoro, considera que a OPA “morreu” hoje após a rejeição da desblindagem de estatutos. Recorde-se que foi a Santoro a forçar a votação da desblindagem para diminuir a probabilidade de sucesso da oferta dos catalães.

Para o CaixaBank, não era ainda o momento para votar a desblindagem. Isto porque, a oferta aguarda parecer do Banco Central Europeu, da Autoridade de Supervisão dos Seguros e Fundos de Pensão e do Banco Nacional de Angola. Só nessa altura, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários poderá registar a oferta.

Os limites aos direitos de voto permanecem, o que obriga o CaixaBank a procurar agora uma solução alternativa para manter ‘viva’ a oferta.

Fernando Ulrich repetiu hoje que a OPA não tem afectado a gestão corrente do BPI.

sandra.a.santos@sol.pt