Sem adultos, Eurogrupo acaba sem solução para a Grécia

“Sem acordo no #Eurogrupo. Forte sinal para a #Grécia se envolver seriamente nas negociações. Eurogrupo mantém-se pronto para voltar a reunir em qualquer momento”.

Foi com estas palavras que o vice-Presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis anunciou no Twitter que a reunião entre os ministros das Finanças dos 28 tinha terminado sem uma plataforma de acordo entre a Grécia e os seus credores.


“É possível um acordo de última hora mas a bola está do lado das autoridades gregas”, afirmou em conferência de imprensa no final do encontro, no Luxemburgo, o líder do Eurogrupo. Jeroen Dijsselbloem diz que depois de “semanas em que as negociações não progrediram” foi enviado “um forte sinal” ao Governo de Atenas de que é necessário “apresentar propostas nos próximos dias”.

“Estamos empenhados em encontrar uma solução credível para a Grécia dentro da zona euro. Se no fim isso não for possível, estamos preparados para outras realidades. Mas até lá essa é a nossa grande prioridade”, repetiu o holandês. Mas “não vejo forma de chegar a um acordo sem que as autoridades gregas apresentem propostas credíveis e sustentáveis”, sublinhou o líder do grupo que reúne os responsáveis das Finanças dos 28.

“Todos sabemos qual é a data limite”, disse por sua vez o comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros, Pierre Moscovici. “Até 30 de Junho não há tempo a perder para evitar o pior. Há decisões que têm de ser tomadas, era preferível que fosse já hoje mas ainda não é impossível”.

A Comissão está “à espera de contrapropostas credíveis” às medidas já recomendadas pelas instituições credoras, acrescentou. “Já o disse e repito: é do interesse de todos que nos mantenhamos todos no projecto do euro”, sublinhou o ex-ministro francês, que prometeu que a Comissão está disposta a “trabalhar noite e dia para ter este acordo que toda a Europa precisa”.
 

Lagarde pede 'adultos na sala'

Credibilidade e seriedade foram termos repetidos por todos os credores da Grécia que se juntaram na conferência de imprensa final. “Esperamos que os próximos dias sejam aproveitados pelas autoridades gregas para que juntem uma série de propostas que sejam credíveis e capazes de substituir as apresentadas pelas instituições”, disse a líder do FMI, Christine Lagarde.

A francesa não escondeu que o ambiente com o ministro grego Yanis Varoufakis continua a não ser o desejável. Quando questionada sobre a esperança que tem no futuro das negociações, Lagarde afirmou que “para haver uma negociação é necessário haver diálogo, e neste momento não há diálogo. Só poderemos restaurar o diálogo com adultos na sala”.

“O FMI empresta dinheiro a 188 países e responde perante todos esses países, dos mais ricos aos mais pobres”, lembrou, reforçando a ideia de que a instituição que lidera já mostrou flexibilidade face a Atenas. “Fomos sempre flexíveis em todas as revisões que fizemos na Grécia nos últimos cinco anos, pois nunca encontrámos o que era esperado”.

A francesa diz que “as instituições juntaram propostas sensíveis” que representam “uma clara flexibilização daquilo que era exigido antes, sobretudo em termos fiscais e de reformas estruturais”.

nuno.e.lima@sol.pt