Economia

Toyota alvo de buscas no Japão

Os dois principais edifícios da gigante Toyota no Japão foram alvo de buscas esta terça-feira por parte da polícia. Isto apenas alguns dias depois de uma das principais executivas da empresa, a norte-americana Julie Hamp, ter sido detida por encomendar medicamentos proibidos no Japão.

O porta-voz da Toyota, Ryo Sakai, confirmou as buscas na empresa, mas recusou-se a fazer mais comentários, pelo facto de a investigação ainda estar a decorrer. A polícia fez buscas na sede da Toyota em Tóquio e nas instalações administrativas junto a Nagoia, onde se situa a sua maior fábrica.

Curiosamente, a importância da empresa para essa cidade onde está a principal unidade fabril, com perto de 400 mil habitantes, levou a que o nome da mesma mudasse de Koromo para Toyota, isto já em 1959.

Julie Hamp, que se tornou em Abril a primeira mulher a ocupar um cargo de topo na Toyota, como responsável máxima de relações públicas, foi detida pela polícia no dia 18, num hotel de Tóquio. Tinha encomendado uma caixa com 60 comprimidos de oxicodona, um medicamento analgésico comum nos Estados Unidos mas cuja compra no Japão obriga primeiro a uma autorização.

Não se sabe os motivos específicos das buscas desta terça-feira, mas é comum acontecerem no seguimento de detenções. Hamp continua sob custódia policial, podendo ficar detida sem acusações formadas até 23 dias.

Akio Toyoda, patrão da empresa nipónica – maior fabricante mundial de automóveis – veio a publico defender a executiva norte-americana, acreditando que ela não sabia que estava a quebrar uma lei do país. Afirmou também que talvez a empresa devesse ter ajudado mais Julie Hamp na mudança para Tóquio, referindo-se às pesadas restrições para determinados medicamentos, que muitos viajantes ou trabalhadores internacionais não conhecem. No entanto, segundo fontes da polícia, a caixa de medicamentos encomendada por Hamp estava escondida num pacote que continha também jóias, o que mostra algum tipo de preocupação da gestora com o conteúdo.

Uma preocupação que se levantou com este caso foi a possibilidade de afectar a imagem das mulheres e dos estrangeiros no Japão, trazendo de volta o conservadorismo que tem impedido gestoras femininas chegarem a cargos de topo nas empresas.

emanuel.costa@sol.pt