Opiniao

Austeritários acham que sabem de crescimento

Paul Krugman, o Nobel americano conselheiro de Obama, o tal Presidente dos EUA que a direita portuguesa e europeia tanto mimou desde o princípio, começou a ser considerado esquerdalho por esta mesma direita portuguesa e europeia quando resolveu opor-se à política de austeridade. Logo desde o princípio, quando ele previu que as consequências da austeridade seriam as que foram e não as que diziam os austeritários, mas ainda mais agora, e quanto mais razão a realidade lhe dá.

E volta a ter razão quando se indigna agora por os tais austeritários, que andam há anos a falhar as previsões sobre os efeitos das suas políticas de austeridade, quereem vir dar ao mundo lições sobre o crescimento que eles impediram (como se não o tivessem impedido).

Não impediram o crescimento económico, nem a Grécia de lhes dar baile – para um prejuízo de todos nós, que só parte do Governo de Passos e o Presidente Cavaco não percebem.

É descaramento a mais. Não há aqui direitismo ou esquerdismo, mas simples ignorância ou maior acerto. Os economistas austeritários deviam jogar um bocadinho de golfe, para perceberem como a lógica nem sempre funciona (este jogo é disso um exemplo perfeito, já que a boa técnica contaria toda a lógica, e ninguém vai lá sem lições de anti-lógica).

E a Direita da Europa devia entender que não lhe interessa abandonar totalmente a Grécia nas mãos do Syriza. O Eurogrupo (onde pontifica um social-democrata holandês inominável, que parece conseguir contra o espanhol Guindos manter-se no lugar, só por ter perdido completamente o Norte da UE na questão grega) não devia nunca ter-se reunido em 18 contra 1 – como o fez, apesar de a França pretender agora surgir como distinta dos 18. É preciso uma Direita alternativa, que recuse a ideia de uma economia científica à Karl Marx. O ressurgimento dos velhos democratas-cristãos, por exemplo, que sempre são menos velhos do que os velhíssimos liberais-tecnocratas.