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A sua relação está a em crise? A prioridade é melhorar o sexo, dizem os especialistas

Ao longo de várias décadas, as terapias de casal deixaram a vida sexual para segundo plano, dedicando-se a trabalhar outras questões do relacionamento. Mas correntes mais recentes da psicologia defendem o contrário, como explica o The New York Times. Se uma relação não está a correr bem, a prioridade é falar sobre sexo e apimentar a vida íntima.

 


Estas conclusões foram debatidas no mês passado no Centro de Terapia Focada nas Emoções de Nova Iorque, onde decorreu o congresso 'Sexo e Afecto: de mãos dadas'. O evento com vários workshops sobre terapia sexual e comportamento sexual contou com a presença de cerca de 400 especialistas.

Na terapia de casal tradicional, os especialistas são treinados para se focar nos problemas da relação, como a comunicação. A vida sexual apenas é abordada se o casal tocar no assunto. Mas, na última década, vários especialistas têm advogado e praticado nas suas consultas uma corrente oposta, que enfatiza a importância do ‘bom sexo’ nas relações. E muitos levam esta teoria ao limite, sugerindo que antes de tudo os casais devem apostar na vida sexual para só depois abordar outros assuntos.

Alguns especialistas tornaram-se oradores populares em conferências deste género. Mas a ‘mãe’ desta corrente é a terapeuta belga Esther Perel, de 56 anos, que escreveu o livro Amor e Desejo na Relação Conjugal (Editorial Presença). A obra é considerada uma saudável ruptura do modelo de casamento da sociedade actual. A autora incita os leitores a superar as ansiedades e inseguranças, preservando a autonomia como seres individuais e adultos, defendendo que o desejo morre se não existir mistério - para que as fantasias e os jogos eróticos possam florescer.

A psicóloga, que vive em Nova Iorque, foi em Março oradora numa conferência TED sobre este tema. Os vídeos desta intervenção contam já com cerca de dois milhões de visualizações.

“Um ‘affair’ é um acto de traição mas também uma experiência de desenvolvimento e crescimento”, disse em entrevista. “É um trauma na relação, mas não é um crime. Muitas vezes a família renasce mais forte e resiliente e o casal sai do cenário de marasmo em que estava”.