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‘Portugal tem direito a viver com normalidade. Mas ainda há riscos’ diz Portas

Em mais uma demonstração do alinhamento do discurso dentro da coligação, o líder centrista Paulo Portas deu esta noite uma entrevista à SIC em que repisou os argumentos eleitorais com que PSD e CDS se apresentam às próximas legislativas. Os últimos quatro anos serviram para “arrumar a casa”, os próximos anos servirão para repor a “normalidade” e para dar “esperança, moderada mas sustentada, aos portugueses”. E, fundamentalmente, convencer os eleitores dos riscos de votar PS.  

“Portugal tem direito a viver com normalidade. Mas ainda há riscos” afirmou Paulo Portas. Foi o “PS que nos levou à ruína”, “vejo outra vez o PS a disparar a dívida”, “ninguém sonha como foi governar um país que estava a semanas de não ter reservas para pagar pensões ou salários” foram algumas das várias frases de Portas num dos pontos fortes da entrevista, o ataque ao PS. 

Aliás, o líder socialista "devia ter feito uma avaliação crítica de 2011" logo quando foi eleito, ataca Portas. "Mas António Costa não o fez".

Carregando no argumento do temor, referiu que "cada vez que os socialistas aumentam a despesa ou diminuem a receita as pessoas têm medo do PS". E não faltaram as declarações de Costa quando da vitória do Syriza: "Os portugueses pensam 'e se eles estivessem  no Governo o que fariam?' Portugal não tem interesse em associar a sua situação à Grécia", assevera, dando estas razões como duas das que impedem um acordo pós-eleitoral com o PS.

Sobre o Governo e sobre a sua actuação, Portas disse que tem “o sentido de missão cumprida” – “acabou o protectorado, não tivemos um segundo resgate, não pedimos mais dinheiro nem mais tempo”.

E o que de menos bom aconteceu é com a herança do Governo de José Sócrates que se explica. "Uma geração apanha com enorme violência com um resgate que não merece"; "responsabilizo quem trouxe o resgate, memorando e recessão quanto aos números do desemprego"; "o resgate tem origem na dívida e na irresponsabilidade".

Quanto a outros pontos concretos da actuação do Governo PSD/CDS, como as pensões, impostos ou agricultura Paulo Portas reivindicou ter feito o que podia para que as pensões mais baixas, "mínimas, sociais e rurais pelo menos não fossem afectadas pela inflação" e que, ao contrário do que a 'troika' queria "a TSU sobre as pensões não avançou". 

Culpou o Tribunal Constitucional por ter feito o Executivo ir "pelo lado da receita e não da despesa" e manifestou a esperança de já em 2016 os portugueses virem a recuperar algum dinheiro da sobretaxa, já que a "a execução das receitas do IRS está a correr bem" e, a manter-se, haverá um crédito fiscal a devolver no próximo ano.

Portas, manifestou ainda "muito orgulho no trabalho de Assunção Cristas" na Agricultura, outra das suas 'bandeiras'. Cristas, uma das políticas "de muita qualidade" da geração entre os 35 e os 45 anos que não deixarão o partido desamparado se uma derrota eleitoral forçar o presidente a deixar a liderança do CDS.

Também a sua ameaça de abandono do Governo não podia ficar de fora. "Está a referir-se à crise do 'irrevogável'?" perguntou com humor à jornalista Clara de Sousa, que conduziu a entrevista. "Pago o preço pelo que fiz", afirmou, "o Governo ficou mais coeso, melhor", nomeadamente na "área económica".

E as divergências na coligação? "Existem sempre", mas "esta é a primeira maioria em coligação que termina um mandato e a primeira que vai a eleições junta". 

"Confio em Pedro Passos Coelho e na política que desenvolvemos", declarou. Agora a coligação "merece uma maioria para que o país não tenha sarilhos nem problemas", considera o líder do CDS.

teresa.oliveira@sol.pt