Internacional

Jorge Sampaio. O prémio da ONU ‘é mais vasto do que a pessoa’

O antigo Presidente Jorge Sampaio era hoje um homem grato e humilde nas Nações Unidas, em Nova Iorque, depois de ter recebido o Prémio Nelson Mandela.


"Confesso que me senti bem, estou a sentir-me bem desde há uns dias a esta parte, desde que soube que isto tinha acontecido", explicou.

Depois de se emocionar ao dedicar o prémio aos portugueses no seu discurso, dizendo que "são um povo bravo, generoso, extrovertido e resiliente", a voz de Sampaio tornou a falhar-lhe quando falou sobre o tema aos jornalistas.

"Dediquei-lhes o prémio porque acho que sem o apoio deles não teria chegado onde cheguei e portanto estou muito grato", disse o antigo Presidente.

O prémio Nelson Mandela foi criado no ano passado pela Assembleia Geral da ONU para homenagear personalidades que se tenham dedicado a promover os ideais das Nações Unidas e do ex-Presidente da África do Sul.

"Como disse na minha intervenção, isto é mais vasto do que a pessoa. É uma homenagem não só a essa imensa personalidade que foi o senhor Nelson Mandela, que honramos nesta semana, como a todos aqueles que contribuíram para o trabalho que fiz e a esperança que renovei, de que as ações individuais podem transformar-se em ações coletivas e que a gente, no fundo, como Mandela dizia, sobe um monte mas depois percebe que tem outros a seguir e não deve desistir", disse.

Presidente da República durante 10 anos (1996 a 2006), Jorge Sampaio foi também presidente da Câmara de Lisboa.

De 2006 a 2012 foi enviado especial da ONU na luta contra a tuberculose.

Nos últimos anos tem investido numa iniciativa para fornecer subsídios de emergência para que estudantes sírios possam continuar os seus estudos, apesar da guerra na Síria, a chamada "Plataforma Global de Assistência Académica de Emergência a Estudantes Sírios".

"Os portugueses sabem, porque têm apoiado, que esta é uma tarefa colossal. É uma das maiores tragédias que se passam no mundo ao nosso lado. [Vou também continuar] na campanha para uma nova política sobre as drogas, que, afinal, foi sempre um dos meus temas", disse.

Jorge Sampaio garante que pretende continuar o trabalho a nível internacional.

"Se possível, quero continuar com energia fazendo coisas que têm a ver com os meus objetivos de sempre, que afinal se mantiveram constantes, se mantiveram idênticos, e isso é que acho que é um ponto de coerência e boa vontade que acho indispensável", concluiu.

Depois da entrega do prémio, Jorge Sampaio participou na inauguração de uma horta num terraço da ONU, em que plantou uma pequena árvore.

Nesta primeira edição, o prémio Nelson Mandela foi também atribuído a uma oftalmologista da Namíbia, Helena Ndume.

 

Lusa/SOL