Politica

Dois independentes, nenhum nome sonante na coligação

Uma maioria “aberta a independentes” foi o que Pedro Passos Coelho e Paulo Portas prometeram quando anunciaram a coligação a 25 de Abril. Quatro meses depois, são três os cabeças-de-lista independentes anunciados pela coligação Portugal à Frente (PàF). Um deles é uma repetição: o deputado Carlos Abreu Amorim, que volta a concorrer por Viana do Castelo. Dois são novidade, mas quase desconhecidos do grande público: Margarida Mano, por Coimbra, e José Carlos Barros, por Faro.

Doutorada em Gestão pela Universidade de Southampton, Margarida Mano fez currículo entre a academia e a banca. É vice-reitora da Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Economia e será um nome quase desconhecido fora da cidade dos estudantes.

Também quase desconhecido é o arquitecto paisagista José Carlos Barros. Autor do blogue Casa de Cacela, Barros vive em Cacela Velha e dedica-se à escrita, tendo chegado a ganhar o Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama em 2009, com o livro Os Sete Epígonos de Tebas'.

Com uma carreira ligada ao ambiente, foi director do Parque Natural da Ria Formosa e trabalhou na CCDR do Algarve. José Carlos Barros tem também experiência política: foi vice-presidente da Câmara de Vila Real de Santo António entre 2005 e 2013 e é actualmente Presidente da Assembleia Municipal da cidade.

Barros tem, porém, no currículo uma característica ainda mais curiosa e invulgar: é autor do hino do Algarve, um título que ganhou ao ter vencido o concurso promovido em 2004 pela Área Metropolitana daquela região.

Sete mulheres em 22 nomes

A independente Margarida Mano é a única das cinco mulheres cabeça-de-lista da PàF pelo Continente que não é ainda conhecida a nível nacional na política.

Ao todo são, aliás, sete as mulheres que compõem o lote de cabeças-de-lista da coligação e a maior parte é já bem conhecida dos eleitores.

Nilza Sena, por Beja, foi apresentada em 2011 como um dos rostos da renovação do PSD e foi eleita deputada nas últimas eleições.

Teresa Morais, que concorre por Leiria, é secretária de Estado da Igualdade, uma pasta que lhe valeu notoriedade, sobretudo no combate à violência doméstica.

Teresa Leal Coelho, que também se estreou como deputada em 2011 deu nas vistas no Parlamento, sobretudo na preparação da lei do enriquecimento injustificado – que o Tribunal Constitucional considerou, esta segunda-feira, ser inconstitucional.

Berta Cabral, candidata pelos Açores, ganhou notoriedade nacional sobretudo como secretária de Estado da Defesa Nacional. Antes tinha sido líder do PSD-Açores.

Já Sara Madruga da Costa é deputada regional do PSD-Madeira e apoiante de Miguel Albuquerque, mas um nome quase desconhecido no Continente.

Ninguém poderá, contudo, competir com os níveis de notoriedade da candidata por Setúbal, Maria Luís Albuquerque, que sai do Ministério das Finanças para voltar a concorrer num distrito, onde tradicionalmente a esquerda é mais forte.

Chegou-se a falar na hipótese de Maria Luís concorrer pelo Porto, passando José Pedro Aguiar-Branco para Braga, onde iria substituir Miguel Macedo, afastado na sequência do caso dos vistos gold. Mas as resistências na distrital do Porto falaram mais forte e Aguiar-Branco, de longe do favorito da distrital, acabou por voltar ao Porto, onde em 2011 conseguiu um resultado impressionante.

Outro ministro, Jorge Moreira da Silva, acabou por ficar com a tarefa de suceder a Macedo em Braga.

margarida.davim@sol.pt