Desporto

Queridos, vou mudar a Liga

Reuniu consenso em Outubro de 2014 para substituir o conturbado Mário Figueiredo, abdicou de um salário de 12.500 euros por estar em “missão” e nove meses depois de assumir de forma provisória a liderança da Liga Portuguesa de Futebol Profissional até foi elogiado por garantir patrocínios (NOS e CTT) e credibilizar uma Liga que estava “falida e dividida”.


Em fim de mandato, Luís Duque convocou um novo acto eleitoral no início do mês de Julho, depois ter recebido em Assembleia-Geral uma moção de confiança de todos os clubes profissionais para se recandidatar. O repto foi aceite, mas divergências sobre o rumo da arbitragem levaram FC Porto e Sporting a liderar um grupo de apoio ao ‘reformado’ Pedro Proença, que apesar de ter apresentado a sua candidatura ao cargo apenas seis dias antes das eleições acabou por derrotar Duque.

Na hora de contar espingardas, Benfica e Sp. Braga mantiveram a confiança no antigo dirigente do rival Sporting. Do outro lado da barricada, o ex-árbitro internacional, benfiquista assumido, contou com o apoio de peso de FC Porto, Sporting e ainda do influente empresário Joaquim Oliveira. O braço-de-ferro pela cadeira do poder acabou por ser ganho pela oposição, que pretende agora abrir “um capítulo de esperança” no futebol português.

De nada valeu a Duque a preferência de grande parte dos clubes da 2.ª Liga (11 de 19), já que a maioria dos emblemas da 1.ª Liga (12 em 18) optou por levantar a placa de substituição e votou no homem que nos relvados usava gel no cabelo e tinha o hábito de tratar os jogadores por “meu querido” ou “queridos”.

Seis meses depois de ter arrumado o apito, Pedro Proença, de 44 anos, venceu na terça-feira por nove votos e tornou-se o nono presidente da história da Liga. Segue-se na lista a João Aranha, Valentim Loureiro, Pinto da Costa, Manuel Damásio, Hermínio Loureiro, Fernando Gomes, Mário Figueiredo e Luís Duque.

“Credibilizar, criar valor e internacionalizar. São estes os valores pelos quais nos bateremos nos próximos quatro anos”, começou por dizer o antigo árbitro internacional no discurso de vitória, que apontou ainda baterias a “uma Liga mais forte, mais competitiva e mais rentável”.

Proença, que é membro do Comité de Arbitragem da UEFA, pretende avançar com um novo modelo de negócio e sustentabilidade no organismo e nos clubes profissionais, à semelhança das principais ligas europeias. Quer valorizar a Taça da Liga com uma vaga para a Liga Europa, regular as apostas online e negociar a centralização dos direitos televisivos. De acordo com o seu programa de acção, Proença tem ainda a ideia de introduzir a avaliação dos árbitros com recurso ao vídeo, incluir um novo sistema de gestão no sector, criar uma Liga Ibérica entre os melhores classificados de ambos os países e implementar uma jornada natalícia em Portugal, à imagem do Boxing Day da Liga Inglesa.

O primeiro passo para a unificação da Liga já foi dado: “Serei o presidente de todos os clubes, sem excepção, e é com muita honra que vou abraçar esta causa”, salientou Proença. O segundo teve a mão do candidato derrotado, que reagiu com fairplay apesar do cartão vermelho que recebeu: “Não me sinto nada traído, democracia é assim mesmo. Espero que possam dar a Pedro Proença as mesmas condições que me deram a mim”, apelou Luís Duque.

hugo.alegre@sol.pt