Internacional

Quem está a ganhar com a crise grega? Os ladrões

Os meses agitados antes de ser decretado o controlo de capitais na Grécia foram de incerteza e receio para grande parte da população helénica, mas há um grupo de cidadãos que beneficiou com os rumores de saída do euro, com a fragilidade dos bancos em Atenas e a fuga de depósitos: os amigos do alheio.

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Numa reportagem publicada hoje pelo New York Times, os dias em que Varoufakis e Tsipras se degladiavam com o Eurogrupo, ainda com os bancos abertos, são apontados como um dos motivos para uma onda de crimes. A repórter do jornal em Atenas conta que em quase todos os jantares na cidade, este Verão, as conversas resvalam para “histórias de arrombamentos, assaltos e roubos que têm acompanhado a crise de dívida do Governo”.

Como os gregos temiam que uma saída do euro pudesse converter os depósitos em montantes menos valiosos numa nova moeda, ou que a situação frágil dos bancos impusesse perdas aos depositantes, instalou-se uma tendência generalizada de levantamentos bancários, antes de ser decretado o controlo de capitais já no final de Junho.

O New York Times escreve que os ricos mudaram o dinheiro para a Suíça, o Luxemburgo ou para cofres, mas que a classe média guardou dinheiro, ouro e jóias em casa, na famosa solução de poupança debaixo do colchão. Aparentemente, isto provocou uma subida dos assaltos a casas – pelo menos segundo as estatísticas de criminalidade reveladas na semana passada.

Segundo o diário, os crimes mais graves na Grécia estão estáveis, tal como os assaltos a bombas de gasolina ou a supermercados. O que está a subir são assaltos a casas e lojas, pelo que o jornal escreve que os gatunos “estão a seguir o dinheiro”. "Muitas pessoas levaram o dinheiro para casa, por isso é compreensível", assume um elemento da polícia de Atenas, na reportagem.

Mary Mantouvalou, uma advogada citada no artigo, indica que a vaga de crimes estará a ser perpetrada por redes organizadas e não por pessoas pobres, que optariam antes por fazer assaltos em supermercados, por exemplo.

Segundo a Polícia de Atenas, em Julho foi detido um gangue que roubava idosos que levantavam dinheiro de agências bancárias, além de um jovem acusado de fazer 13 roubos de casas em bairros ricos, nos últimos meses. Numa das habitações, levou jóias e e outros objectos no valor de 40 mil euros.

joao.madeira@sol.pt