Economia

Governador tenta evitar ‘tempestade’

Vender o Novo Banco com um “desconto pequeno” seria a certeza de que “teremos passado ao lado de uma tempestade”. O desabafo foi proferido por Carlos Costa em Novembro do ano passado, no Parlamento, e tornou-se a principal missão do governador nos últimos dias.

Carlos Costa já admitiu perdas na venda do Novo Banco TIAGO PETINGA/Lusa

Ainda antes de arrancar o processo de alienação do banco que herdou os activos saudáveis do BES, o governador já admitia perdas. E estes dias têm sido decisivos para controlar os danos causados pela eventual ‘tempestade’.

Carlos Costa tinha estipulado o final do segundo trimestre como o prazo indicativo para encontrar um novo dono para o banco de transição. Mas o processo derrapou ligeiramente. O regulador anunciou ontem a extensão da última fase de venda, com recepção das propostas vinculativas revistas até 7 de Agosto. A decisão final só será conhecida a meio do mês. “Apesar de tudo, será uma boa notícia”, já que a venda “não se arrastará demasiado”, congratulou-se ontem o Executivo, pela voz de Marques Guedes.

A dificuldade em decidir o vencedor é justificada com a diversidade das propostas apresentadas pelos três candidatos: Fosun, Apollo e Anbang. O supervisor passou o mês de Julho a pedir clarificações aos interessados e a estabelecer uma base comparável entre os termos e condições das ofertas. O significativo risco de litigância, que ameaça a notoriedade do banco, a aplicação de medidas de reestruturação e as necessidades de capital condicionam o valor das propostas.

A venda do Novo Banco entra na recta final um ano após a queda do BES. Foi na noite de 31 de Julho de 2014 que Carlos Costa decidiu que a resolução era única opção em tempo útil. A 4 de Agosto nascia o Novo Banco.

sandra.a.simoes@sol.pt