Desporto

Mourinho. Apanhem-me se puderem

Passou 274 dias no topo da tabela (um novo recorde), sagrou-se campeão com três jornadas por disputar e só foi derrotado por quatro vezes em todas as provas na última temporada.

AP Photo/Jon Super

O Chelsea arranca amanhã para a Liga inglesa 2015/2016 com estatuto de favorito e nem a recente derrota na Supertaça com o Arsenal (1-0) retira a confiança a José Mourinho em revalidar o título. Para o conseguir, aposta na base da equipa campeã, com o ataque reforçado pelo poder de fogo de Falcao, que substitui Drogba.

São quatro as ameaças, segundo o técnico português: «O Arsenal, clube com grandes jogadores; o Liverpool, que fez um grande investimento; o Manchester City, com um plantel de sonho; e o Manchester United, pela história».

Wenger para levar a sério?

A presença entre os postes de Petr Cech, antigo guardião do Chelsea, começa a dar frutos. A vitória de domingo sobre os blues valeu uma Supertaça e revelou um Arsenal mais maduro, capaz de ombrear com os rivais. Mas era só um jogo – e o problema dos gunners tem sido a falta de regularidade ao longo da época.

Arsène Wenger segurou a espinha dorsal de uma equipa recheada de jovens talentos – como Alexis Sánchez, Ozil, Wilshere, Ramsey ou Welbeck – e desenvolveu um sentimento de confiança que há muito não se via no Emirates. Prestes a celebrar o seu 19.º aniversário no Norte de Londres, o técnico francês precisa de evitar a quebra de forma e a onda de lesões que costumam atingir os seus pupilos para tornar credível a aposta no título. A fama de ficar sem gás em Março instalou-se e já ninguém teme os bons arranques dos homens de Wenger. Mas a chegada de Cech pode ser o alicerce que faltava para os sustentar.

O tudo ou nada de Pellegrini

Dinheiro continua a não ser sinónimo de êxito para o Manchester City, que apesar da injecção de capital árabe no clube só se sagrou campeão por duas vezes na última década (2011/12 e 2013/14).

A capacidade técnica de Manuel Pellegrini continua a deixar dúvidas aos adeptos e a sombra de Pep Guardiola, apontado como o sucessor em 2016, aumenta a pressão. Raheem Sterling (ex-Liverpool) e Fabian Delph (ex-Aston Villa) são reforços sonantes para um ataque de luxo e podem ajudar o treinador chileno a resgatar o trono perdido na última época. O problema é que a defesa não convence: Demichelis já não é jovem (34 anos), Mangala tarda em se afirmar e Kompany parece em queda.

Van Gaal dá murro na mesa

Acabaram-se as desculpas no Manchester United. Louis van Gaal elevou o nível de exigência e, depois de melhorar em seis pontos o registo de David Moyes, aponta agora aos feitos de Alex Ferguson. O objectivo é recuperar o domínio no campeonato.

Com esse desafio no horizonte, o quarto classificado da última época recrutou o alemão Bastian Schweinsteiger e o francês Morgan Schneiderlin para dinamizar o meio-campo, o italiano Matteo Darmian para renovar a defesa e o holandês Memphis Depay, rotulado de ‘novo Ronaldo’, para revitalizar as alas. Fica a faltar um criativo para colmatar a saída de Di María para o Paris Saint-Germain.

Rodgers sobre brasas

Depois de mais de 700 jogos no clube de infância, Gerrard pôs fim a uma era na cidade dos Beatles. Sterling, um dos extremos mais promissores aos 20 anos, aproveitou a porta aberta e rumou ao City. Duas baixas de peso no Liverpool que obrigaram Brendan Rodgers a partir o mealheiro para contratar Benteke (ex-Aston Villa) e Firmino (ex-Hoffenheim) – a dupla atacante custou 90 milhões de euros. O investimento justifica-se: os reds terminaram a última temporada no sexto lugar, a 25 pontos da liderança. Rodgers colocou o lugar à disposição, mas recebeu um voto de confiança.

Parte para a sua quarta temporada em Anfield com novo fôlego, mas com uma exigência reforçada: conquistar o título de campeão que foge há 25 anos.

hugo.alegre@sol.pt