Internacional

Grécia. Tsipras defende resgate como única opção do país para se manter no euro

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, disse hoje num discurso no parlamento grego que o acordo para o terceiro resgate do país como uma "escolha forçada" do governo, tomada depois de "esgotar todas as vias de negociação". 

Tsipras explicou que teve de escolher entre um programa de ajuda com o euro ou o dracma como moeda nacional.

"Perante um ultimato para a saída temporária da Grécia da zona euro, tomámos a responsabilidade perante o povo grego de nos mantermos vivos e continuarmos a luta em vez do suicídio (a saída do euro)", afirmou esta manhã Tsipras num discurso no parlamento, numa sessão que se estendeu durante toda a madrugada e que deverá terminar com a votação do acordo.

O primeiro-ministro disse que não se arrepende de ter tomado essa decisão e, embora tenha reconhecido que a ajuda externa não é uma vitória, salientou que constitui a melhor opção que o país tinha num momento de asfixia financeira.

Por outro lado, disse que a solução do empréstimo ponte sugerida pela Alemanha "seria o regresso a uma crise sem fim".

"Isso é o que alguns procuram sistematicamente e nós temos a responsabilidade de o evitar, de não facilitar", afirmou.

A votação do acordo, que começou esta madrugada com grande atraso devido a questões regimentais, é um requisito que as instituições exigiram antes da decisão do Eurogrupo.

Em causa está a aprovação de um acordo sobre o plano de ajuda de 85 mil milhões de euros, o terceiro desde 2010, em troca de medidas de poupança drásticas.

A sessão começou na manhã de quinta-feira com o debate nas comissões parlamentares, que ficou marcado pelo confronto entre a presidente do Parlamento, Zoé Konstandopulu, e alguns membros do Governo.

Konstandopulu, que previsivelmente votará contra, manifestou o seu descontentamento sobre o procedimento parlamentar escolhido pelo Governo para tramitar a lei do resgate (a via de urgência) e propôs que a votação se realizasse hoje de manhã.

Os ministros das Finanças da zona euro reúnem-se hoje em Bruxelas para se pronunciarem sobre o novo plano de ajuda à Grécia, em relação ao qual a Alemanha já disse "ter questões" que devem ser esclarecidas.

Lusa/SOL