Vida

O sex appeal do dragão

Uma leitora como tantas outras confere a lista. Procura referências portuguesas e esbarra em Pedro Passos Coelho no sétimo lugar. Congratula-se,  desaprova ou revela indiferença. Está tudo bem, é Agosto, e os faits divers estão para o mês como a areia da praia. Retoma os lugares cimeiros da tabela divulgada pelo site hottesheadsofstate.com, porque afinal a história reza sempre dos mais fortes. Alcança  o nome e a foto de Jigme Khesar Namgyel Wangchuck e estaca: desconhece o chefe de Estado ‘mais sexy do mundo’, o rei do Butão. Segunda contrariedade: é incapaz de pronunciar o seu nome. Terceira contrariedade: onde fica o Butão?

 

Volta a demorar-se na imagem. Admite que o gosto é sempre discutível, e tem poucas certezas sobre a decisão, mas se a personagem é motivo de escolha valerá a pena saber um pouco mais sobre ela - entretanto desabafa com a amiga do lado: “Tem mesmo um nome esquisito”. O detalhe não impede a consulta do eficiente oráculo da pós-modernidade, o Google, para responder em dois tempos à questão mais urgente: king of buthan’s wife - sabiamente faz a pergunta em inglês para acelerar a resolução da dúvida de uma fêmea despachada. A prioridade das prioridades é apurar se o alvo primordial do artigo está disponível. O motor de busca devolve o trágico veredicto. Nascido a 21 de Fevereiro de 1980, o precoce ‘Rei Dragão’casou-se em Outubro de 2011 com a jovem estudante Jetsun Pema. As imagens testestemunham a segunda hecatombe: se elaborarem uma lista do género para mulheres de chefes de Estado, Pema fica tranquilamente em primeiro lugar. Comprometidas as hipóteses de um lugar no trono,   a leitora seguirá diferentes caminhos: abandona a leitura e promete não voltar a perder um minuto que seja com rankings; repete o passo anterior acrescentando de forma desdenhosa “o Butão também devia ficar longe como um raio”; enche-se de curiosidade e/ou desportivismo e tenta perceber um pouco mais. (Note-se sobre este último ponto que uma razoável percentagem de inconformadas manterá até ao final da sua pesquisa o desejo secreto de que a senhora Jetsum seja fuminada por um raio).

Se ainda está connosco, vamos então saber quem é o rei do Butão, líder do último reino budista dos Himalaias, perfilado pela revista Vanity Fair, que comparou o seu penteado ao de Elvis, que distingue a sua educação esmerada, recebida em Oxford, e ainda os seus figurinos, sempre cuidados.

Jigme chegou ao trono a 9 de Dezembro de 2006, depois de o pai resignar a seu favor, pondo termo a mais de 30 anos de reinado. Foi coroado em 2008, numa cerimónia pública que coincidiu com o centenário da monarquia naquela que é conhecida como ‘a Terra do Dragão’, destacada em 2006 pela revista Business Week como ‘o país mais feliz da Ásia’, e ainda a democracia mais jovem do mundo, sendo que apenas com a chegada do sexy líder se deu a transição do regime absoluto para uma monarquia constitucional, realizando-se as primeiras eleições gerais. Jogador de basquetebol, inseparável do seu iPhone, adepto do Facebook, garante o devido espaço no site royalista.com, uma volta pelo mundo da realeza. Quando a leitora procura a respectiva biografia, depara-se com o sorridente monarca, quase sempre ladeado pela mulher,  em imagens que mais parecem postais. Pelo caminho, descobriu que o Evening Standard sugeriu o Butão como um dos destinos a visitar em 2015. Talvez marque viagem. Ou espreite quem é o número dois da lista.

O ‘Elvis dos Himalaias’

É o rótulo granjeado pelo jovem líder do Butão, que completou os seus estudos no Ocidente e regressou à terra natal, um território com as dimensões da Suíça e qualquer coisa como 700 mil habitantes, no começo do novo milénio. Cabe-lhe desde 2008 guiar o reino budista pelo século XXI. Para já, há quem diga que se distingue entre os mais sedutores.

maria.r.silva@sol.pt