Opiniao

Kizombas e festivais

Partindo já para um balanço do que tive oportunidade de ver e ouvir sobre o Verão de 2015, a noite e o entretenimento, os festivais e as festas, aquilo que posso constatar é que me parece que cada vez mais pessoas gastam dinheiro neste tipo de eventos. Festival Paredes de Coura? Cheio. Festival MEO Sudoeste? Cheio. NOS Alive e Primavera Sound? Esgotados. Bliss ? Lotado. Seven?  ‘À pinha’. David Guetta no Estádio de Albufeira? ‘Ao barrote’. Tenho portanto a assinalar que se sente claramente uma retoma económica no ar, uma vez que comparando esta época do ano com a mesma de há 10 anos, é evidente que vemos muito mais gente na noite.

Pude constatar também que a moda das festas angolanas em Portugal está tão instalada que são os próprios angolanos a dizer que nem em Luanda a noite está tão angolana! Isto diz bem, primeiro, da quantidade de angolanos e da sua capacidade financeira para mexer  com a identidade dos nossos espaços, depois da loucura generalizada pelos ritmos africanos, sobretudo a kizomba, o kuduro, e outros. Somando A + B, faz com que os espaços procurem os artistas de sucesso associados a estes ritmos e que os clientes que nos chegam de Angola procurem os espaços que têm este tipo de artistas.

Há também a reter que com a saída de cena do ‘último dos moicanos’ ( Capitulo V ) se criou um grande buraco num tipo de público que não é assim tão pequeno para ser posto de lado e que já tinha sofrido um rombo considerável com o fim da Locomia. Não há, neste momento, espaço algum dedicado a quem goste de sonoridades mais alternativas e ambientes diferentes, estando as ‘despesas da casa’ a ser feitas pelos clubes mais comerciais em noites específicas, e uma ou outra festa isolada de produtoras independentes.

Vejo também pessoas cada vez mais novas na noite, o que não deixa de ser assustador. Por muito que defenda que os valores se vão alterando, bem como os hábitos, acho que existem limites que não devem ser ultrapassados. Adolescentes de 12 e 13 anos que vi a circularem em discotecas com três e quatro mil pessoas é um perigo, tanto para o seu crescimento pessoal como para todos os agentes envolvidos, por isso não percebo como os espaços não exigem uma fiscalização mais exigente nas suas portas. E já nem falo dos pais que deixam os seus filhos sujeitos a vários perigos...

No geral, a noite portuguesa está menos interessante, no que ao meu gosto diz respeito, e penso que não é por estar mais velho, mas sim porque está cada vez mais igual. Há cada vez menos diferenciação nos públicos e nas sonoridades de um espaço para o outro e por isso existem menos alternativas. Acredito no entanto que se é assim é precisamente porque os clientes assim o querem, e como diria o dono de uma emblemática discoteca lisboeta, “bom também”...