Economia

'Plano do Montepio não passa por cortes de pessoal'

José Félix Morgado foi eleito presidente do Montepio há um mês e não teve direito a período de graça. O primeiro passo foi apresentar as contas semestrais, depois de meses marcados por uma auditoria do Banco de Portugal, contestação interna e interpelações da CMVM. O segundo é agora definir um plano estratégico para os três anos de mandato.

José Félix Morgado foi eleito a 5 de Agosto Jorge Amaral/Global Imagens

“Queremos ser uma das instituições mais eficientes do mercado. A equipa estará focada no negócio bancário, na eficiência e na rentabilidade”, explica o gestor, em declarações ao SOL.

Os resultados dos primeiros seis meses, revelados esta semana, mostram que há ainda caminho a percorrer. O Montepio apresentou prejuízos de 29 milhões, penalizado pela negociação da carteira de títulos – houve menos resultados com a compra e venda de dívida pública, face ao mesmo período do ano passado.

Félix Morgado assume que as contas anuais deverão ainda ficar negativas, mas salienta o “desempenho positivo nos indicadores-chave” do negócio bancário: a solvabilidade, os rácios de capital, a margem financeira, o risco do crédito.

Nos depósitos “foi possível conseguir novos clientes e manter a estabilidade”. Apesar de haver menos mil milhões em depósitos de empresas, houve uma compensação com particulares. O Montepio ganhou 28 mil clientes no último ano, 12 mil nos últimos seis meses. “Temos uma equipa comercial com relações muito próximas com os clientes, que tornou possível este desempenho”, justifica.

Um dos objetivos do plano estratégico será maximizar esta proximidade com os clientes, de forma a aumentar as receitas. Haverá “metas concorrenciais” na oferta de serviços e produtos bancários na rede de retalho, aproveitando a “vasta rede comercial” da caixa económica.

Do lado dos custos, a palavra de ordem é contenção, mas sem medidas drásticas. Questionado sobre uma eventual redução de balcões ou de efetivos – nomeadamente através de programas de reformas antecipadas muito em voga no setor financeiro –, Félix Morgado recusa esse caminho. “Os planos de reestruturação nas empresas por onde passo não preveem esse tipo de cortes. É o caminho mais fácil”.

O foco será acima de tudo a revisão de procedimentos para gerar poupanças, uma estratégia já implementada na Inapa, de onde o gestor saiu para substituir Tomás Correia na caixa económica.

Terá também de haver uma maior separação entre a associação mutualista – que serve de holding da caixa económica, que funciona como um banco.

Félix Morgado desvaloriza a contestação interna – a Associação Pelicano, que reúne clientes e investidores do Montepio, é crítica da gestão e já apresentou uma queixa por irregularidades processuais nas últimas eleições – e diz-se motivado para um virar de página. “Há uma nova equipa, com outros desafios de mercado, de perfil de risco”.

Depois de afinar o plano estratégico, o novo presidente do Montepio quer tomar o pulso ao funcionamento da caixa económica no terreno. A nova gestão estará nas últimas semanas de setembro e nas primeiras de outubro a visitar todos os balcões do país, para um contacto direto com os funcionários.

joao.madeira@sol.pt