Internacional

Grécia. O outro debate de quarta-feira

O ex-primeiro-ministro grego Alexis Tsipras esteve na defensiva num debate televisivo com os principais adversários das eleições legislativas de dia 20, exceção feita aos neonazis da Aurora Dourada, que estão em terceiro lugar nas sondagens e foram excluídos do programa.

Em empate técnico na liderança das sondagens estão o Syriza e o partido de centro-direita Nova Democracia, agora liderado pelo ex-ministro da Defesa Vangelos Meimarakis.

O líder do Syriza reconheceu ter feito “erros e exageros” durante os sete meses de governação. Contudo afirmou não se ter “rendido” nas negociações com os credores. E mostrou-se satisfeito por ter obtido um acordo “doloroso que tem muitos pontos positivos para o povo grego”.

O sucessor de Antonis Samaras mostrou-se disponível para chegar a um entendimento com o Syriza seja qual for o resultado das eleições. “Tsipras não se encontra nem fala comigo”, lamenta o conservador. No entanto, o cenário de bloco central é recusado por Tsipras.

Sem acordo entre os dois principais partidos, o vencedor terá de procurar aliar-se a uma ou duas pequenas formações. No entanto, e como seria de esperar, Tsipras foi o alvo de quase todos os outros candidatos.

“Se houvesse a Framboesa Dourada para a economia, de certeza que Tsipras seria o vencedor”, atirou a socialista Fofi Gennimata em referência ao prémio que distingue os piores filmes de Hollywood.

Já o centrista Stavros Theodorakis, do partido Potami, que dias antes anunciara estar disponível para fazer um pacto “com o diabo” para garantir estabilidade ao país, lembrou que votara no Parlamento ao lado do Syriza para que o memorando fosse aprovado, mas que só está disponível para um entendimento caso se avance com uma reforma do setor público.

À esquerda, Panayotis Lafazanis, ex-ministro que saiu em diferendo com Tsipras, defende a saída da Grécia do euro. “A austeridade é que é o desastre” e não o regresso à dracma, garante o líder da Unidade Popular. Uma posição semelhante é defendida pelo líder comunista Dimitris Koutsoumbas, que no entanto rejeitou uma aliança com os dissidentes do Syriza, alegando que a forma de lidar com saída da zona euro é diferente da Unidade Popular “como a noite do dia”.

Na segunda-feira decorre um último debate na TV entre Meimarakis e Tsipras.

cesar.avo@sol.pt