Opiniao

Eles não voltam

Embalado na campanha eleitoral, António Costa, lançou, em Ponte da Barca, um apelo aos jovens que emigraram que voltem para Portugal. Penso que, salvo raras excepções, eles não vão voltar, pois não vão trocar o certo pelo incerto. Onde estão, estão a trabalhar, e não vão trocar a segurança de receber o salário no fim do mês pelas filas no centro de emprego, para nada, ou por ofertas de salários de 100 euros por mês, como há poucos meses me propuseram.

Partiram, sem dúvida com sofrimento e ansiedade. Quando se emigra, o que custa mais são os primeiros seis meses, de adaptação a hábitos que são diferentes dos do país de origem: é o chamado “choque cultural”. Mas regressar ao país de origem pode custar ainda mais, pois o emigrante pode ter adquirido hábitos no país de origem que não são a regra em Portugal como, por exemplo, a pontualidade. A isto chama-se, numa tradução minha, o “choque cultural inverso”.

É de facto a geração mais qualificada que Portugal tem, e sua saída só é parcialmente compensada pela nossa atractividade para profissionais dos PALOP ou da América Latina. Além disso, emigraram em idade fértil, num país onde, em 2014, e segundo o INE, houve mais 22.000 falecimentos do que nascimentos. A prazo, esta tendência, a manter-se, “rebentará” com a segurança social.

Bem pode pois António Costa fazer apelos ao regresso, só lhe fica bem. Mas não se iludam: eles não voltam. Por isso é que se torna necessário acolher imigrantes dos PALOP e da América Latina, bem como desta nova vaga de refugiados. E dar-lhes as condições que os naturais desta terra não tiveram. Se não, eles rapidamente emigrarão.