Politica

Corrida a Belém divide maçons

O apoio aos candidatos às eleições presidenciais está a gerar mal-estar dentro do Grande Oriente Lusitano (GOL).

Por um lado, a divisão vivida no PS atingiu a obediência maçónica, com elementos de algumas das lojas mais influentes do GOL a anunciarem publicamente o seu apoio a Maria de Belém e outros a Sampaio da Nóvoa.

Na Loja Universallis, Luís Reto, reitor do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, e Joshua Ruah, urologista, tomaram uma posição pública de apoio à antiga ministra da Saúde, assinando a petição que promoveu a sua candidatura.  E na Loja 25 de Abril, Vasco Lourenço, capitão de abril, e Edmundo Pedro, histórico resistente antifascista, entre muitos outros, confirmaram já oficialmente que estão ao lado de Sampaio da Nóvoa na corrida para o Palácio de Belém,

Segundo fontes do GOL, além de existirem apoiantes das duas fações do PS, muitos maçons não gostaram de ver o grão-mestre adjunto da obediência, Cipriano de Oliveira, da Loja Humanitas, do Cartaxo, a assumir também o seu apoio à candidatura da antiga  vice-presidente do PS, assinando a petição. “Há algum descontentamento, pois, apesar de cada maçon ter o direito de tomar posições como cidadão, tendo em conta o cargo de grão-mestre adjunto que ocupa no GOL, devia ter sido mais cauteloso pois pode levar as pessoas a pensar que é a posição da obediência”, diz ao SOL um maçon.

‘Há apelos de apoios em nome da solidariedade maçónica’

O ambiente de tensão  tem aumentado devido ao facto de ter sido transmitida para o exterior a ideia de que a Loja Universallis apoiava Maria de Belém. “Quiseram passar essa versão para dar força à candidatura de Maria de Belém, quando na loja há pessoas que não concordam” - explica outra fonte, lembrando que esta loja, liderada por Jorge Sá, dono da empresa de sondagens Aximage, até integra pessoas da esfera do PSD.

Vasco Lourenço, por seu lado, admite que ele e alguns dos seus ‘irmãos’ apoiam Nóvoa, mas garante que o fazem, “a título pessoal”. “O GOL não se envolve em lutas político-partidárias”, argumenta o capitão de Abril, admitindo, porém, que dentro da obediência há elementos a tentarem recrutar apoiantes para determinadas candidaturas. “É lamentável o que se passa, pois há pessoas a apelar a outros para que, em nome da solidariedade maçónica, manifestem o seu apoio a determinado candidato” - critica Vasco Lourenço, acrescentando que alguns estão “a tentar envolver a maçonaria enquanto tal na questão presidencial”.

A verdade é que o assunto promete continuar a dar polémica no GOL. Até porque, este mês, as lojas vão voltar a reunir no palácio maçónico, no Bairro Alto (Lisboa), que esteve encerrado em agosto. A Loja Universallis, assim como outras, tem agendada uma sessão secreta para dia 22.

“Alguns maçons estão incomodados porque receiam que tenha passado a ideia de que a maçonaria apoia Maria de Belém, quando na realidade no GOL haverá até mais pessoas que apoiam Sampaio da Nóvoa”, refere outro maçon ao SOL.

Já o grão-mestre, Fernando Lima - que também integra a Loja Universallis -, garante ao SOL que o GOL não tomou nem irá “tomar posições públicas sobre questões políticas”, sublinhando que os maçons podem tomar partido enquanto cidadãos.

A esta polémica irá, entretanto, juntar-se uma outra sobre o património da obediência.

Segundo o SOL apurou, está prevista para o dia 26 deste mês  uma reunião do parlamento maçónico (Dieta), onde será discutida a alienação do património, um tema que não reúne consenso entre os maçons.

Grão-mestre chumbou decreto sobre património

Aliás, o  SOL apurou que o grão-mestre decidiu não promulgar um decreto aprovado recentemente naquele órgão maçónico que exigia que qualquer iniciativa sobre o património tivesse autorização prévia da Dieta. Fernando Lima enviou um documento aos maçons em que explica os motivos do chumbo e o líder do parlamento maçónico, o advogado Vítor Marques, agendou uma nova discussão sobre o tema. A polémica estalou depois de os líderes do GOL terem anunciado que pretendiam vender imóveis do Internato de São João, uma associação controlada pela maçonaria, para lançarem nos próximos anos uma unidade de cuidados continuados em Chelas.

Também na outra obediência, a Grande Loja Legal de Portugal,   as presidenciais prometem dividir alguns ‘irmãos’. Mas nesta obediência, liderada pelo socialista Júlio Meirinhos, muitos elementos apoiam Marcelo Rebelo de Sousa.

catarina.guerreiro@sol.pt