Economia

Lesados do BES contentes com o adiamento da venda do Novo Banco

Uma almofada de tempo para continuar a pressão sobre o Governo e Banco de Portugal para encontrar uma solução para o problema do papel comercial. É assim que os lesados do BES estão a encarar o adiamento da venda do Novo Banco.

Foi com “alegria” que Ricardo Ângelo, presidente da Associação de Lesados do BES, recebeu ontem a notícia. “Só revela o que uma pequena associação e um grupo de pessoas determinadas conseguem fazer”, reagiu ao SOL, defendendo que o desfecho falhado do processo de venda não é alheio às ações dos lesados do BES.

“Conseguimos descredibilizar e desvalorizar um pseudo banco bom até ao ponto de este só ser apetecível pagando migalhas”, comenta Ricardo Ângelo, lembrando que por diversas vezes a associação que dirige lembrou a Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque e Carlos Costa que “o bem mais precioso de um banco é a sua credibilidade”.

Os avisos caíram em saco roto, com os responsáveis a atirar os lesados do BES para os tribunais, quando estes continuam a exigir nas ruas uma solução política para que o Novo Banco se responsabilize pelo pagamento do papel comercial. Agora, Ricardo Ângelo considera que a venda falhada do “banco bom” é a prova de que o processo foi mal conduzido desde o início pelo Governo e pelo Banco de Portugal.

“Esse foi mais outro erro gigante: eliminar uma marca que valia muito. Estaríamos muito melhor se o banco de Portugal e o Governo não decidissem inovar. O fundo de recapitalização da troika resolveria a questão”, defende o presidente da Associação de Lesados do BES que promete continuar as manifestações durante toda a campanha eleitoral para resolver o problema do papel comercial.

De resto, Ricardo Ângelo considera que o que aconteceu veio demonstrar que Vítor Bento, que acabou por ser afastado do Novo Banco, estava certo. “Fazia sentido fazer primeiro a reestruturação do banco e só depois vendê-lo”, diz, explicando que este desenvolvimento no caso vai reforçar as ações dos lesados do BES.

“A partir de agora teremos mais outro desafio, manter a pressão sobre o Novo Banco”, diz o dirigente da associação que representa cerca de 900 lesados do papel comercial do BES.

margarida.davim@sol.pt