Sociedade

Milionários mortos: PJ não descarta tese de acidente

A Polícia Judiciária (PJ) ainda não concluiu se a morte da milionária brasileira de 60 anos encontrada morta no domingo na sua casa da Quinta Patino, em Cascais, tratou-se de um assassínio por asfixia. Ao que o SOL apurou, não é ainda certo que em causa esteja um crime - um homicídio por motivos passionais - como tem sido noticiado. Apesar de essa ser a hipótese mais forte, há uma outra que ainda não foi afastada: a de um acidente.


Fonte da PJ explicou ao SOL que a brasileira Maria Estela Larsson se encontrava nos últimos tempos com alguns problemas psicológicos e que, por esse motivo, estaria dependente de medicação forte. Este dado revelou-se importante no curso da investigação, e por isso os inspetores colocam também a hipótese de se ter tratado de uma morte acidental que o marido não aceitou.

A Polícia considera ainda assim mais provável que se tenha tratado de um crime passional, dado o cenário encontrado, havendo um pequeno pormenor que baralha esta tese: a ausência de um recado escrito pelo homem a explicar os motivos da morte.

Suicídio no Cabo da Roca

“A verdade é que, tirando esse detalhe, trata-se de um caso  que apresenta contornos  típicos de crime passional”, explica a mesma fonte.

As investigações começaram na tarde de domingo passado, quando foi dado o alerta de que um homem se teria atirado de um penhasco no Cabo da Roca, em Sintra. Depois de localizado, o corpo de Anders Larsson, de 58 anos, foi retirado do local pelos bombeiros de Almoçageme e posteriormente identificado. Além dos bombeiros, no local esteve ainda a Polícia Marítima e a GNR.

Depois destas diligências, a Polícia encontrou na casa do casal, na Quinta Patino, Maria Estela Larsson estendida no chão. A partir daí, a investigação ficou a cargo da Polícia Judiciária.

 A tese de homicídio foi levantada assim que foram encontrados algumas marcas no cadáver que indiciam uma morte por asfixia.

Segundo fontes próximas da investigação, este segundo alerta - de uma mulher morta - terá sido dado por um segurança do condomínio de luxo, que terá visto o corpo através de uma janela.

Desde o início, os investigadores suspeitaram de um homicídio seguido de um suicídio - um cenário que tem vindo a ganhar cada vez mais força apesar de ainda não ser líquido que tenha sido isso a acontecer. Segundo o Correio da Manhã, a autópsia também aponta para as suspeitas iniciais, de que a mulher de nacionalidade brasileira foi morta por asfixia. Maria Estela Larsson apresentaria diversas marcas no pescoço.

Império no Brasil

As autoridades ainda não encontraram, porém, qualquer motivo que pudesse justificar um crime, uma vez que ao casal não eram conhecidas grandes divergências ou discussões.

Sobre Maria Estela Larsson, uma empresária do ramo imobiliário detentora da Tranesco Empreendimentos, em São Paulo, pouco se sabe  - tanto em Portugal como no Brasil. Ao que o SOL apurou, nos registos das autoridades brasileiras constam apenas alguns processos judiciais: uma execução fiscal ao espólio da sua mãe e um processo relativo à herança.

Maria Estela era a inventariante e há um ano chegou mesmo a ganhar um processo sucessório aos restantes herdeiros, uma sentença que reforçou a sua posição.

 “O raciocínio apresentado pelos requerentes, no sentido de que cada herdeiro irá receber no futuro ações e quotas sociais, não impede que, até a partilha, o montante ainda constituinte do espólio seja exclusivamente representado e atue através de atos próprios da inventariante”, escreveu o juiz Paulo Rogério Bonini, do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. O magistrado refere mesmo que não encontrou qualquer ilegalidade cometida por Maria Estela nesta caso e condenou os herdeiros que entraram com a ação ao pagamento das custas judiciais e das despesas com advogados.

Mas há quem refira que as empresas de Maria Estela Larsson - que, no Brasil, tinha residência na Rua Barão de Campos Gerais, no Bairro Real de São Paulo - já tinham visto dias melhores e que havia dívidas que ia acumulando.

O que é certo é que no seu cadastro nacional brasileiro, segundo o SOL apurou, consta apenas uma pequena dívida a uma operadora móvel do Brasil  - a Claro - de pouco mais de 200 euros.

Também Anders Larsson, o seu marido, de nacionalidade sueca, tem sido descrito como um empresário com negócios no ramo imobiliário.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil já informou que está a acompanhar as investigações das autoridades portuguesas, adiantando que já foi oferecido o apoio necessário à família da mulher. O jornal brasileiro Extra noticiou que os familiares da vítima estão em Lisboa para colaborar com a investigação e tratar da trasladação do corpo.

*com Joana Ferreira da Costa

carlos.santos@sol.pt