Desporto

Teste de fogo na Invicta

Um ponto. É tudo o que separa FC Porto e Benfica na classificação em vésperas do clássico no Estádio do Dragão. Com apenas quatro jornadas disputadas na 1.ª Liga, a procissão vai no adro, mas o desfecho do jogo de hoje (19h15, SportTV 1) pode ser o clique para embalar o vencedor para uma boa primeira volta. E não só.


Tendo em conta o equilíbrio dos últimos anos, uma vitória nos confrontos diretos é capaz de fazer toda a diferença na maratona de 38 jornadas. Na época passada, o triunfo na Invicta, por 2-0, revelou-se decisivo para o Benfica se tornar campeão. Três pontos foi a vantagem final para o FC Porto.

Certo é que será o primeiro grande teste no campeonato para os dois rivais. Ao apresentar um novo treinador e uma filosofia diferente, com maior aposta nos jogadores jovens, a equipa da Luz tem no clássico uma prova de fogo, acentuada pelo desaire no primeiro embate com um ‘grande’, na decisão da Supertaça de Portugal frente ao Sporting.

Face a essa derrota, as dúvidas aumentaram, mas Rui Vitória, o técnico contratado ao Vitória de Guimarães para substituir Jorge Jesus, tem vindo a conquistar crédito e há agora uma expectativa crescente sobre a resposta que o Benfica poderá dar no reduto azul e branco.

Uma das interrogações que subsiste é se manterá a tática ofensiva que parece estar a resultar, com apenas dois médios (em vez de três) e dois pontas-de-lança (em vez de um), uma ‘imagem de marca’ dos anos mais recentes que parece estar para durar.

“Nada é estanque e não posso dizer que vamos continuar com este onze, mas quando encontramos o equilíbrio é normal que existe tendência a manter”, comentou o treinador após o triunfo de terça-feira sobre o FC Astana, do Cazaquistão, no primeiro jogo da fase de grupos da Liga dos Campeões.

Vitória não se quis alongar em considerações a propósito do clássico, mas deixou a garantia de ir ao Porto “com a ambição que faz parte da grandeza do clube”, o que implica “entrar em todos os jogos para ganhar”.

Um escasso ponto separa as duas equipas, mas não é igual regressar a Lisboa com quatro de atraso ou dois de avanço, por isso está mais em jogo do que pode parecer. Julen Lopetegui está ciente disso e, depois de uma temporada sem troféus, em que perdeu terreno logo na primeira metade da prova, promete que o FC Porto “enfrentará cada jogo como se fosse o último”.

O de hoje não deve fugir à regra, mas só um triunfo poderá contagiar as hostes portistas com as convicções do treinador espanhol, pois um eventual empate só serve ao Benfica. Lopetegui é olhado com desconfiança, tem competências a provar e um jogo com o grande rival tanto pode ajudar à sua causa como fazer mossas irreparáveis. 

“Estou convencido que vamos ganhar títulos”, diz o treinador portista, que perdeu titulares como Jackson, Óliver, Danilo, Alex Sandro e Casemiro e está obrigado a reformular a equipa. Mas o ano de jejum falará mais alto se os resultados não aparecerem e a tolerância dos adeptos, que já não é muita, entrar no vermelho. É nesse sentido que o clássico será tão importante para Lopetegui como para Rui Vitória.

Nos dois duelos entre os dois, na época passada, o espanhol empatou em Guimarães e venceu no Porto por 1-0. Em 2015/16, ao serviço do Benfica, o português terá armas mais equilibradas para lutar.

rui.antunes@sol.pt

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