Opiniao

Ricardo Araújo Pereira: o must da campanha

Sou um grande apoiante dos debates políticos eleitorais, mas realmente não me apetece ver nenhum. Cansa-me o tom de promessas, que raramente, ou nunca, depois se cumpre. E tenho mesmo tendência para achar que de certeza não voto em quem vejo nesses preparos, que associo mais à atual maioria governamental (E esta de Portas estar a associar o PS ao liberalismo económico de moda? Até pode ser verdade, e eu acredito, mas só me parece que fará a Direita ir votar com maior à vontade nele, porque percebe que sempre pode arriscar uma mudança para melhor, sem grandes mudanças políticas).

Dito isto, do que gosto mesmo nesta campanha é das prestações do grupo truncado dos Gatos Fedorentos. Para não levar com o telejornal da TVI inteiro em cima, procuro vê-los mais tarde, esquadrinhando a televisão com o comando.

E aqui noto com pena, que apesar de isto não ser bem uma novidade (pelo menos, Ricardo Araújo Pereira já apareceu em campanhas anteriores, em moldes demasiado semelhantes), se continua a verificar um desentendimento completo entre o apresentador e os entrevistados políticos. Os entrevistados acham que têm de fazer concorrência ao apresentador na gracinha, sem pensarem que não são humoristas, e serão sempre ai batidos de forma rotunda. O entrevistador, por sua vez, pretende sair um bocadinho do registo puramente humorístico, para colocar questões sérias e delicadas a quem tem à frente, e vê os interlocutores chutarem para canto, e armarem-se em engraçadinhos. Ele tenta ser simpático, e lá lhes vai dispensando uns risinhos forçados, como se tivessem gracinha – que não têm.

Mas apesar deste desajustamento gritante, inteiramente alheio à vontade dos autores do programa, continua a ser o bocado mais alegre e agradável da campanha, e o único que me esforço por não perder (da maneira cuidadosa como expliquei: usando o comando da televisão como umas pinças, para não ter de ver o resto do enorme e maçudo telejornal). Vamos lá ver hoje a miúda do CDS, a Assunção Cristas.