Opiniao

Sol & Sombra

SOL

António Guterres

Um dia depois de os ministros do Interior da UE terem adiado (para outubro!) uma decisão sobre o acolhimento das vagas de refugiados, foi ao Parlamento Europeu mostrar-se chocado e indignado com a incapacidade dos 28 Estados europeus para encontrarem uma solução rápida e global para a crise dos migrantes. Mostrou-se desapontado com a inação e os bloqueios de alguns países, não se coibindo de recordar a crise dos 200 mil refugiados da Hungria em 1956. Horas depois, Angela Merkel e Juncker convocavam uma cimeira de urgência para os próximos dias. Foi eficaz o apelo e o alerta do respeitado líder do ACNUR.

Cristiano Ronaldo

Quando já se elaboravam teorias sobre a sua abstinência de golos neste início de época, abriu a sua temível veia goleadora e marcou oito golos (cinco mais três) em dois jogos. Já é o melhor de sempre da Liga dos Campeões, com 80 golos (à frente de Messi), e está a apenas dois golos de se tornar o maior goleador de toda a história do Real Madrid: com 321 já marcados ultrapassou o mítico Di Stéfano e prepara-se para se colocar à frente de Raul. De uma eficácia imparável e sempre a surpreender - em particular, os seus detratores - está a um passo de ficar como ídolo maior do clube com o melhor palmarés de títulos em todo o mundo.

SOMBRA

António Costa

No debate das rádios com Passos Coelho perdeu o ascendente e a embalagem vencedora que conquistara há uma semana no frente-a-frente televisivo. Confuso nas contas, trapalhão nos argumentos, irritadiço nalgumas respostas, deu o flanco demasiadas vezes ao longo do debate - no dito por não dito sobre a Grécia e o Syriza, nos cortes de milhões dissimulados no programa do PS que não soube explicar, ou nos tropeções que deu na Segurança Social. Foi um estrago considerável na sua campanha.

Manuela Ferreira Leite

Já se percebera que, numa mistura de razões pessoais e isolamento partidário, se convertera numa das mais acérrimas críticas de Passos Coelho e do Governo. Mas a presença de uma ex-líder do PSD num ato de campanha do PS, travestido de lançamento de um livro, em que apareceu a dar a mão aos socialistas, ultrapassa os limites do decoro político. António Costa agradece, os militantes do PSD seguramente que não.

Artigo publicado na edição impressa do SOL, a 18 de Setembro de 2015