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BE: "O discurso sobre os cofres cheios ofende as pessoas”

A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, acusou hoje Pedro Passos Coelho de "ofender" as pessoas ao falar de "cofres apetrechados", defendendo que o Governo PSD/CDS-PP tem antes uma "dívida gigantesca" para com os cidadãos.

"O discurso sobre os cofres cheios é um discurso que ofende as pessoas, porque os cofres cheios de que fala são a dívida gigantesca que tem para com as pessoas que trabalham e querem trabalhar neste país", afirmou Catarina Martins aos jornalistas, em Peniche.

Os cofres "estarão cheios de dívidas aos pensionistas, que ficaram sem sete meses das suas pensões nos últimos quatro anos? Estarão os cofres cheios de sete meses que foram retirados em quatro anos aos funcionários públicos? Estarão os cofres cheios do abono de família que foi retirado a meio milhão de crianças?", questionou a dirigente do BE.

"Estarão os cofres cheios do complemento solidário para idosos, que foi cortado a mais de 70 mil idosos pobres? Estarão os cofres cheios dos salários baixos da precariedade e das poucas condições de vida das pessoas?", continuou, durante uma visita ao edifício de investigação da Escola Superior de Turismo e Tecnologias do Mar (ESTTM) de Peniche, do Instituto Politécnico de Leiria.

Reagindo a afirmações feitas hoje por Pedro Passos Coelho, que disse hoje que Portugal tem o "cofre devidamente apetrechado" para pagar os empréstimos aos credores, mesmo em caso de volatilidades do mercado, e considerou que, "uma vez que não foi concretizada a venda do Novo Banco dentro do prazo que o Banco de Portugal tinha previsto, o IGCP [instituição do Estado que faz a gestão da dívida pública] terá de adaptar agora a gestão da sua tesouraria a essa circunstância".

Ainda a propósito do "lapso" assumido por Passos Coelho, sobre os 500 milhões de euros que disse que tinham sido pagos ao Fundo Monetário Internacional e foram usados antes para pagar obrigações do tesouro, Catarina Martins considerou que ele "anda de lapso em lapso até à mentira final".

De visita a um polo de investigação do ensino superior, a candidata do BE falou da "precariedade dos investigadores", que "passam décadas" de "bolsa atrás de bolsa", "sem nunca terem acesso a um contrato de trabalho, a uma carreira contributiva e a direitos e a perspetivas de futuro para poderem construir uma vida" e que são obrigados a trabalhar no estrangeiro.

Catarina Martins defendeu que "não há desenvolvimento económico sem uma ligação à investigação" e criticou o facto de Portugal "investir em investigação e tecnologia muito menos do que a média europeia", um problema que, considerou, "tem vindo a agravar-se", sendo cada vez menos o investimento público na ciência.

Lusa/SOL