LifeStyle

Do Guincho para as Amoreiras

Na renovada Praça da Comida das Amoreiras brilha, desde 8 de junho passado, uma nova estrela gastronómica: o Barbatana, que vem do Guincho para Lisboa. Também se poderia dizer que vem do Alentejo, pois o responsável pela cozinha é o recém estrelado pela Michelin Miguel Laffan. Mas a iniciativa empresarial pertence ao Porto de Stª Maria (ver texto junto), um reconhecido servidor do melhor peixe fresco e mariscos (já teve uma estrela Michelin). Pretende essa casa proporcionar aqui semelhantes prazeres do mar, e a preços mais convidativos.

Quanto a preços, basta atentar na fatura junta, para se concluir que são de facto muito mais convidativos. No próprio Barbatana encontra diferentes modalidades. Há um preço para o restaurante interior (um pouco mais caro), outro para o espaço exterior (muito acessível), e ainda o do balcão de dez lugares (que corresponde à fatura fatura) e da mesa do chefe (com uma degustação, que deve ser marcada com antecedência, no caso de se pretender a presença do próprio Laffan, seguramente mais dispendioso). As próprias listas divergem de zona para zona, tendendo a do restaurante interior a propor maior elaboração dos pratos.

A decoração é atraente, relativamente minimalista, e com referências óbvias ao mar: imagens do Atlântico e de peixes, tons de branco e azul.

Claro que aqui, com Laffan, a confeção vai assumir um papel mais relevante do que no Guincho, embora admita que o bom produto deve brilhar por si. Também é verdade que já no seu restaurante alentejano este chefe dava especial atenção ao peixe (desde a sopa de peixe aos salmonetes, por exemplo, passando por uma caldeirada de lulas, pelo atum ou pelos Brás). Como alguém já disse, o Porto de Stª Maria pretende ter no Barbatana (que deverá transformar-se em cadeia, e ir para outros locais, a começar pelos centros comerciais) um irmão mais novo e irreverente, que possa chegar a uma maior quantidade de gente. Os fornecedores serão os mesmos do Porto de Stª Maria.

Começo por atestar o sucesso em conseguir-se aqui uma experiência única mas despretensiosa em peixes (prevê-se como único prato de carne um bife de vaca maturada), bem apropriado para a clientela urbana a que se destina (e não só).

Começando logo pelas pataniscas de caranguejo com um copo de vinho branco da casa, rendi-me completamente. Mas há mais hipóteses apetitosas de mariscos: amêijoas à Bulhão Pato, camarões fritos, da costa, cozidos ou com noodles, cataplana de mexilhões; e peixinhos da horta, um tártaro asiático de atum, gyosas de caldeirada, wrap de sapateira com guacamole, chamuças de bacalhau com natas, prego de atum, hot roll de salmão e sapateira, ou salada de salmão.

E há projetos de futuro: fazer o ‘balcão do chefe’, ao sabor das inspirações de Laffan, ou apostar semanalmente num tipo de peixe menos conhecido, como por exemplo o encharéu e a barracuda. 

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