Politica

Passos chama o pai e o ‘colega Tsipras’ para o ajudar… e faz uma promessa

A luta pelo voto está renhida e Passos Coelho tem uma estratégia: apaziguar os que estão zangados com os cortes e acenar com o fantasma da instabilidade política e as consequências do “radicalismo” de António Costa. Desta vez, num almoço em Felgueiras, Passos usou o exemplo do pai para chegar aos pensionistas que sofreram com a austeridade e o de Alexis Tsipras para explicar que até o líder do Syriza teve de mudar de política para não lançar a Grécia no abismo.

“O meu pai tem 89 anos”, dizia Passos ao almoço, explicando que nem o pai do primeiro-ministro se livrou dos cortes a que austeridade obrigou. “É um pensionista que consegue ser atingido pelas medidas do Governo”, contou aos apoiantes da coligação, explicando que às vezes até lê  ”na comunicação social que ele fica um pouco aborrecido”.

O líder da PàF acredita, porém, contar com a compreensão do pai, que espera que se estenda a outros pensionistas. “Mas eu sei que ele sabe que os sacrifícios que fizemos não foram em vão”, afirmou, defendendo que foi graças à política do Governo que o país superou a crise.

A promessa de Passos

Contrariando a linha que tem anunciado, Passos não resistiu sequer a fazer uma promessa, ainda que disfarçada.

Passos Coelho lembrou os “pensionistas,  trabalhadores que perderam o seu emprego, funcionários públicos, jovens, contribuintes que viram a sua fatura muito agravada pelos impostos” que “estiveram na primeira linha dos sacrifícios”. E prometeu que eles serão “os primeiros beneficiários desse crescimento que o país pode agora oferecer”.

O primeiro-ministro defende que agora há condições para mudar as políticas que antes foram impostas porque “quem não tem dinheiro, aceita as condições que lhe impõe quem empresta”.

Reforçando a ideia – que tem acompanhado toda a campanha – de que é um defensor do Estado Social, Passos reclamou até os louros de ter conseguido não executar o programa que a troika inicialmente tinha imposto, afastando a ideia de que o Governo é mais troikista do que a troika.

“Nós, apesar disso, mudámos muitas dessas condições”, declarou, lembrando desde logo “que o Governo isentou de IRS as prestações sociais”.

“Conseguimos criar um quadro mais realista para a execução desse memorando. Sabem porquê? Porque conseguimos gerar confiança”, afirmou, com um recado que acaba por ir direito não só a Costa, mas ao “colega Tsipras”: “Altera o contrato quem pode andar com as costas direitas e com a cabeça levantada”.

O fantasma da instabilidade e do governo “extremista”

O líder da PàF chamou até um aliado inesperado para defender a política da coligação, “o meu colega Tsipras”, como lhe chamou.

Passos deseja-lhe “toda a sorte do do mundo”, por considerar que “os gregos merecem toda a ajuda e toda a solidariedade”. Mas sublinhou que os gregos merecem também “ter um programa que tire a Grécia da situação em que que está, como nós tivemos um Governo que nos tirou da situação em que estávamos”.

De resto, Passos acha que a Grécia só não está pior porque Tsipras inverteu o rumo da sua política, deixou cair o radicalismo e negociou com Bruxelas, ao contrário do que queria o então ministro das Finanças Varoufakis.

margarida.davim@sol.pt