Politica

'Nunca pensei na minha vida ver o PS defender ideias tão estranhas'

Paulo Portas continua a desenterrar ideias neo-liberais nas propostas do PS. Desta vez, foi graças a uma entrevista ao jornal económico Oje, que Portas descobriu que os socialistas querem cortar “nas cantinas sociais”.

O líder do CDS ficou tão surpreendido com as declarações que encontrou numa entrevista do economista socialista Mário Centeno, que disse ter esperado “24 horas” antes de as comentar, por estar à espera que elas fossem esclarecidas.

Exibindo o jornal na mão, enquanto discursava num jantar comício em Penafiel, Portas mostrou-se perplexo com a ideia.

“Onde chega a insensibilidade ou então onde chega a impreparação”, comentou, lembrando que “nas cantinas sociais almoçam ou jantam os mais pobres dos pobres” e que “são geridas pelas instituições particulares de solidariedade social”.

Portas, que há dias dizia que o Largo do Rato tinha sido invadido por “ultra-liberais de Harvard”, voltou a atacar as ideias de Mário Centeno de uma forma surpreendente para um líder do CDS que faz parte de um Governo que tem apostado nas privatizações.

“Não me parece que seja boa ideia fazer outsourcing, ou seja, tirar do social para fazer no privado”, atacou Portas, lembrando que “o Estado gasta apenas 4% dos 1.020 milhões de euros que eles dizem que querem cortar”.

“Nunca pensei na minha vida ver o PS defender ideias tão estranhas”, concluiu Portas, que atacou ainda o PS por querer acabar com os estágios financiados pelo Estado.

“O PS prepara-se para acabar com boa parte das medidas ativas de emprego”, avisou, voltando a atacar os autores do programa socialista de desconhecerem a realidade do país.

“O PS não sabe, mas devia saber, que dois terços dos jovens que frequentam estágios profissionais financiados pela União Europeia seis meses depois de o estágio acabar encontraram um posto de trabalho”, afirmou o líder centrista.

margarida.davim@sol.pt