Economia

Combustíveis: diferença entre marketing automóvel e realidade chega aos 450 euros

A polémica dos dados falseados das emissões poluentes da Volkswagen não é caso único na indústria automóvel. De acordo com um estudo divulgado hoje pela Transport & Environment (T&E), uma organização ambiental, o sistema de testes europeus para medir as emissões de CO2 e o consumo dos veículos está “totalmente desacreditado”. Chega a haver diferenças superiores a 50% entre os resultados dos testes e o desempenho real e, para um automobilista médio, os gastos adicionais em combustível podem atingir 450 euros por ano. 

Segundo o relatório da T&E, que se baseou em medições de 600 mil automóveis, a Mercedes é a marca que apresenta as maiores discrepâncias entre os testes de emissões e de consumo e o desempenho real. Nos novos modelos classe A, C e E, a diferença entre as estatísticas oficiais da marca e o consumo real é superior a 50%. A série 5 da BMW fica ligeiramente abaixo deste patamar, tal como o Peugeot 308. O carro onde há menos diferenças é o Renault Twingo.

A média da indústria anda em 40% e tem vindo a subir nos últmos anos – em 2001 era de 8%-, penalizando os automobilistas. Segundo a organização, “os resultados distorcidos dos testes enganam os condutores, que atingem uma poupança de combustível muito mais baixa do que é prometida nos materiais de marketing lustrosos". Um automobilista “típico” enfrenta 450 euros adicionais em combustíveis face ao que é publicitado pelas marcas, segundo as estimativas da E&T.

joao.madeira@sol.pt