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BE reitera disponibilidade para entendimentos desde que PS 'aceite abandonar três ideias'

A porta-voz do BE, Catarina Martins, reiterou hoje disponibilidade para conversar sobre uma solução de Governo de esquerda que salve Portugal, bastando para isso que PS abandone a redução da TSU, congelamento das pensões e facilitação dos despedimentos.


"Reitero hoje o que disse ainda antes da campanha eleitoral a António Costa. O Bloco de Esquerda cá está disponível para conversar sobre uma solução de Governo que salve Portugal bastando para isso que o PS aceite abandonar três ideias, que a nosso ver contrariam a possibilidade de mudança de ciclo", disse Catarina Martins após reunião da comissão política do BE, sendo as três linhas vermelhas a redução da Taxa Social Única (TSU) descapitalizando a Segurança Social, a redução das pensões por via do congelamento e a facilitação dos despedimentos.

A porta-voz do BE espera que "toda a gente esteja à altura da responsabilidade", apelando diretamente ao PS e garantiu ter a certeza que a CDU "também estará presente e não faltará à chamada", recordando que "os partidos que tiveram três milhões de eleitores, que têm hoje mais de 50% dos deputados na Assembleia da República, fizeram a sua campanha prometendo uma rutura com o ciclo da direita".

Catarina Martins criticou ainda aquilo que considerou fazer parte das "decisões apressadas do Presidente da República", que terça-feira vai já ouvir o líder da coligação PSD/CDS-PP, Pedro Passos Coelho, considerando que "manda o respeito institucional que o Presidente da República não tomasse estas ações antes de estarem contados os votos dos emigrantes".

"Os emigrantes foram muito mal tratados nestas eleições. Que o Presidente da República não espere sequer o tempo normal para a contagem dos votos parece-nos uma precipitação que nada justifica. Também não aceitamos as declarações do presidente da Comissão Europeia querendo retirar dos resultados eleitorais em Portugal a conclusão de que a maioria dos portugueses votou pela continuação da austeridade", criticou ainda.

Na opinião da deputada do BE, "António Costa teve uma declaração no mínimo ambígua após os resultados eleitorais", reiterando por isso aquilo que o partido disse na pré-campanha porque "será trágico que as forças que se bateram contra a direita nas eleições não tenham agora a capacidade de estar à altura das soluções de Governo que o país exige", considerou.

A porta-voz do BE considera que as três linhas vermelhas do partido são "propostas concretas, simples" e o "início de uma conversa que o país precisa para ter novas soluções", respondendo que os bloquistas já disseram o que era essencial para uma conversação e que aguarda agora que o PS diga alguma coisa.

"O PS vai reunir amanhã [terça-feira]. Fica claro hoje que a disponibilidade que o Bloco anunciou em tempo de pré-campanha eleitoral é a mesma que anuncia hoje. Cá estamos para que o país tenha soluções", disse, atirando assim a bola de novo para o lado socialista.

Catarina Martins foi perentória: "O BE é a terceira força política do parlamento. Não fará nenhum entendimento com a direita, mas não faltará aos compromissos para soluções que rompam com a austeridade e é bom que toda a gente diga com quem é que conversa".

Questionada pelos jornalistas sobre se houve algum encontro com o PCP sobre esta matéria, a bloquista recordou que há posições públicas que se conhecem que são coincidentes entre os dois partidos e que não foram feitas reuniões nestes dias.

"Há três milhões de eleitores que escolheram outra coisa, que são a maioria no parlamento, que têm a maioria dos deputados e das deputadas e será estranho que essa maioria não encontre a capacidade de diálogo e se ponha na posição de uma oposição maioritária a um Governo de minoria. Isso sim seria instabilidade", reiterou.

Lusa/ SOL

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