Politica

País laranja a norte, rosa a sul

  

O rio Tejo parece separar dois países de cores politicamente opostas no mapa dos partidos vencedores por concelho. O país rosa do PS raramente espreita acima da linha do Tejo, onde fica o país laranja por excelência: só os distritos de Castelo Branco e Coimbra quebram a hegemonia da cor laranja da maioria PSD/CDS, a par de alguns concelhos pontuais de predomínio socialista nas fronteiras da cidade do Porto e nas margens do Douro.

E se, em relação às legislativas de 2011, a mancha rosa dos socialistas progride agora visivelmente em Castelo Branco e Coimbra, a sul do Tejo ela torna-se dominante e quase exclusiva: reduz a cor laranja do centro-direita a uma pequena bolsa de três concelhos no Algarve, limita a quatro autarquias alentejanas o vermelho das vitórias do PCP e ocupa todo o restante mapa do sul do país.

A pequena subida eleitoral de 28,1% em 2011 para os atuais 32,4% permite ainda ao PS surgir como vencedor em mais concelhos nos Açores do que o PSD.

Laranja desaparece a sul do Tejo

Quanto à coligação PSD/CDS, apesar de ter perdido 727 mil votos e 11,7% de 2011 para 2015, consegue resistir quase incólume acima do rio Tejo. E aí consolida mesmo a sua supremacia em alguns concelhos do Minho.

Mas a cor laranja desaparece quase na totalidade a sul do Tejo: no Algarve, onde dominava em absoluto há quatro anos, ficou limitada a três concelhos do centro algarvio; no Alto Alentejo, deixa fugir mais de uma dezena de concelhos e desaparece por completo; no populoso distrito de Setúbal, também é varrida do mapa; e nos Açores é mesmo ultrapassada de forma clara pela cor rosa dos socialistas.

Confirma-se, assim, uma geografia eleitoral do país sempre constante ao longo destes 40 anos de eleições democráticas: a predominância do centro-direita acima da linha do Tejo e o domínio do centro-esquerda em todo o sul do país.

O fiasco dos pequenos partidos

Era elevada a expectativa de os pequenos partidos elegeram vários deputados nestas legislativas. O PDR de Marinho e Pinto (herdeiro dos 7,1% e dos 243 mil votos do MPT, que lideraranas europeias), o Livre de Rui Tavares e Ana Drago (com 71 mil votos e 2,2% nessas mesmas europeias de 2014), o Juntos Pelo Povo (que fora a surpresa das eleições autárquicas e regionais na Madeira) ou o PAN-Partido dos Animais e da Natureza (que já em anteriores eleições ficara a 5 mil votos de conseguir um eleito por Lisboa).

Várias sondagens previam que o PDR e o Livre/TA poderiam fazer eleger de um a três deputados nos círculos de Lisboa e Porto. E mesmo o JPP e o PAN teriam algumas hipóteses de eleição na Madeira e na capital.

Mas, afinal, apesar de os pequenos partidos terem duplicado nestas legislativas o seu número de votos (de 124 mil para 248 mil), só o PAN teve sucesso, com um deputado. O truculento e justiceiro PDR ficou-se agora por uns escassos 1,1% e 60 mil votos. O intelectual e syrizista Livre/TA não foi além de uns insignificantes 0,71% e 39 mil votos. E o PT/MAS/Agir de Joana Amaral Dias recebeu uns minúsculos 0,38% e 20 mil votos. O fiasco foi quase total.