Sociedade

Audiências vão contar com gravações e diferidos

Há muito que os responsáveis pelos canais por cabo temáticos sustentam que as suas verdadeiras audiências não estão a ser contabilizadas. Isto porque o consumo de televisão está a mudar e a análise de audiências feita pela CAEM/Mediamonitor contabiliza os espetadores que estão a ver em direto – a chamada ‘televisão linear’ – enquanto uma quantidade cada vez maior de espetadores faz gravações e vê mais tarde. Estes não aparecem nas audiências e são os típicos espetadores dos canais por cabo especializados: os que veem de acordo com as suas conveniências.


Nova medição para breve

Fernando Cruz, diretor executivo da CAEM – Comissão de Análise de Estudos de Meios, que reúne anunciantes e meios de comunicação social –, diz que está em fase final de testes uma nova metodologia “que mede o consumo diferido até sete dias”. E que depende da vontade dos membros da CAEM a aprovação do estudo e a entrada em funcionamento e publicação.

Até ao final do ano, “o mais tardar”, esta nova ferramenta de leitura mais fina das audiências deverá estar em funcionamento. A partir do momento em que o novo estudo arrancar – a par das audiências em direto que são medidas e analisadas pela GFK/Mediamonitor para a CAEM –, haverá três novos tipos de medição: uma dirigida aos velhinhos gravadores de vídeo, outra às gravações feitas pelas boxes com discos rígidos das operadoras do mercado (Cabovisão, Meo, Nos e Vodafone) e vistas no próprio dia, e, por último, os programas vistos até sete dias após a emissão. Segundo Fernando Cruz, já serão entre 30 a 40% os clientes das operadoras que têm as boxes que permitem fazer gravações da sua programação.

Tipicamente, os visionamentos VOSDAL – sigla de Viewed On the Same Day as Live’ (visto no mesmo dia da transmissão) – apanham programações como noticiários, entrevistas, talk shows e até telenovelas. Já a programação feita de ficção, como séries e filmes, é mais vista retroativamente, alguns dias após a primeira emissão.

Até agora, nos relatórios divulgados à imprensa, estes tipos de visionamento são todos reunidos, juntamente com os canais por cabo, na categoria ‘Outros’, onde não há diferenciação por canal. E são sobretudo os canais temáticos de séries, filmes ou muito especializados que têm ficado, por isso, ‘abaixo do radar’ nas clássicas medições de audiências.

1.100 painéis

De acordo com Fernando Cruz, este novo tipo de medição, que a CAEM irá começar até ao fim do ano, “é a que é feita em todo o mundo”. Em Portugal, esta ferramenta mais fina de obtenção de resultados “não tinha ainda sido sentida como prioridade pelos vários agentes envolvidos, mas neste momento começa a ser” – numa altura em que, com a chegada da televisão por internet, da Netflix, os canais por cabo têm que provar o que valem.

A decisão de lançar o estudo cabe à CAEM, associação sem fins lucrativos composta por anunciantes, meios de comunicação social e agências de planeamento e de compra de espaço publicitário.

A nova metodologia de análise terá como base os já existentes 1.100 painéis de audimetria instalados em lares representativos da população e colocados em diferentes pontos de Portugal continental.

telma.miguel@sol.pt

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