Politica

Como Passos e Costa se andam a 'picar'

O nome do “documento facilitador” que Passos Coelho enviou ontem a António Costa parece indicar uma vontade de chegar a acordo. Mas a hora a que foi enviado denuncia a tensão que se tem vivido entre a coligação e o PS nos últimos dias.

A proposta foi enviada às 15h50. Exatamente 10 minutos antes de Costa iniciar em Belém a audição com o Presidente da República. E, na prática, deixando o líder do PS sem possibilidade de analisar as 20 cedências propostas por Passos e Portas para chegar a um entendimento para a governação.

Costa faria saber à noite que estava disponível para debater o documento esta terça-feira às 18h. Uma hora tardia, que pode fazer arrastar a reunião e que coincide com o momento marcado para a socialista Maria de Belém – apoiada pela ala segurista –anunciar a sua candidatura à Presidência da República.

Nesta picardia de horas, a coligação não deixou passar em branco as queixas de António Costa de, à saída do encontro com Catarina Martins, não ter ainda recebido um documento que, como tinha anunciado na sexta-feira, deveria ter sido entregue durante o fim-de-semana.

No comunicado que anunciou o envio do “documento facilitador”, a PàF assegura que a entrega das propostas observou o “escrupuloso cumprimento” do calendário que tinha sido acertado com o PS.

Mas Costa não está satisfeito com a forma como Passos e Portas têm conduzido as negociações. À saída do primeiro encontro, fez questão de o deixar claro, classificando a reunião como “bastante inconclusiva” e explicando que tinha a expectativa – que saiu frustrada – de ir à sede do PSD na Lapa ouvir propostas concretas e não ficar quase três horas simplesmente a acertar um método de trabalho para a negociação.

Ontem à noite, fonte oficial do PS queixava-se à Lusa de não ter ainda recebido "informações detalhadas sobre a atualização do cenário económico”, que Maria Luís Albuquerque teria ficado de fornecer à equipa de Costa. Mais uma nota do descontentamento do líder socialista com a liderança da coligação, em claro contraste com o bom ambiente em que decorrem as negociações à esquerda.