Politica

Maria de Belém: 'Não nasci hoje para a política'

Maria de Belém lançou-se na corrida para a Presidência da República com recados ao outro candidato na área do PS, Sampaio da Nóvoa, o pleno dos seguristas na audiência, bem como apoios de peso no PS – Almeida Santos, Manuel Alegre, Vera Jardim, Jorge Coelho. “Não nasci hoje para a política”, garantiu a socialista que se candidata para “disputar a vitória”. 


A candidata garantiu que a decisão que tomou foi “profundamente amadurecida” com “total independência do momento político e das agendas partidárias”. “A afirmação da autonomia política atesta a credibilidade e isenção desta candidatura”, frisou Belém.

Os socialistas dividiram-se quando o apoio do PS a Sampaio da Nóvoa parecia certo e apontaram o dedo à falta de currículo político do ex-reitor da Universidade de Lisboa e à sua leitura distorcida dos poderes presidenciais. Aspetos que estão no polo oposto do perfil que Maria de Belém fez por mostrar no seu discurso de candidatura. “Porque não nasci hoje para a política”, disse a candidata, depois de elencar o seu currículo político, os vários cargos públicos que desempenhou - no Governo e como deputada do PS, do partido da “liberdade, dos valores humanistas e projeto europeu”, como destacou - e também os cargos que teve em instituições sociais e de solidariedade.

Os recados a Nóvoa, embora sem mencionar o nome do adversário, estavam lá quando Maria de Belém disse ser preciso um Presidente da República “com uma visão equilibrada dos poderes presidenciais e que saiba ser moderador”. E também quando frisou: “O mandato é claro: o programa do Presidente da República é a Constituição”. E quando insistiu: “De um Presidente da República esperam maturidade e visão políticas e não um programa político que nem a Constituição determina nem a sociedade exige”.

Maria de Belém, que chegou acompanhada do marido, citou o Papa Francisco - tal como o fez Marcelo Rebelo de Sousa, na apresentação da sua candidatura presidencial – colocando a defesa dos mais vulneráveis da sociedade como um dos seus horizontes. “O meu compromisso é, em coerência com a minha vida pública, realizar uma Presidência das pessoas, para as pessoas, pelas pessoas, com as pessoas”, referiu. As “desigualdades salariais entre homens e mulheres” também foram destacadas por Belém como uma prioridade para o seu mandato presidencial, arrancando uma ovação.  

Um poema de Manuel Alegre, que estava na audiência, serviu para remate final: “O teu destino é nunca haver chegada/ O teu destino é outra índia e outro mar/ E a nova nau lusíada apontada/ A um país que só há no verbo achar”.

O (quase) pleno dos seguristas e apoios de peso no partido

A sala “Sophia de Mello Breyner”, no Centro Cultural de Belém estava cheia com apoios de peso no PS, como Almeida Santos, Manuel Alegre, Jorge Coelho e Vera Jardim. E o pleno dos seguristas – Miguel Laranjeiro, Alberto Martins, Óscar Gaspar, Álvaro Beleza, Eurico Brilhante Dias, José Junqueiro, António Galamba, Carlos Zorrinho e António Braga – só faltou mesmo o próprio António José Seguro.

Na audiência também constavam outros socialistas como os ex-ministros Marçal Grilo e Severiano Teixeira e até um socialista próximo de António Costa, o presidente da Federação de Lisboa, Marcos Perestrello. Outra ausência notada foi a do eurodeputado Francisco Assis. 

O ex-homem forte do aparelho do PS, Jorge Coelho, diz que a socialista tem “enorme maturidade” para assumir o cargo, enquanto o presidente honorário do partido, Almeida Santos, manifestou o seu apoio “formal e sincero” à única candidata que é “membro do PS”. “Um candidato do PS dá mais garantias de ser um bom candidato”, considerou Almeida Santos.

O apoio do PS a Sampaio da Nóvoa era dado como certo acabou por não acontecer e o partido estabeleceu dar liberdade de voto aos militantes. Uma atitude “inteligente” por parte do líder do PS, António Costa, argumentou o presidente honorário, uma vez que se apoiasse um candidato “estava a comprometer-se com o resultado”.

Já o histórico socialista Manuel Alegre defendeu que Belém será a “surpresa” da corrida eleitoral. 

Notícia atualizada às 19h49

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