Politica

Rutura à vista entre coligação e PS

Passos acabou a reunião com António Costa sem saber o que quer afinal o líder socialista para viabilizar não apenas o programa de Governo, mas também os Orçamentos do Estado dos próximos quatro anos. “Ceder em quê?”, perguntava-se Passos Coelho no final do encontro no Largo do Rato, explicando que para fazer cedências era preciso que primeiro o PS identificasse  os pontos que considera fundamentais para um entendimento.

“Não avançámos rigorosamente nada”, declarou, taxativo, explicando que de Costa ouviu apenas “a sua insatisfação com a proposta” que tinha sido elaborada pela coligação.

Agora, segundo Passos Coelho, a bola está do lado de Costa. O líder da coligação considera que caberá ao socialista dizer ao que vem e o que quer e que, só depois dessa “contra-proposta” estar nas mãos da direção da PàF, faz sentido marcar nova reunião.

Para já, não há data para esse novo encontro.

“Nós fizemos o trabalho de casa”, sublinhou o líder do PSD, acusando o PS de ter assumido uma “atitude passiva” na negociação.

Passos lembrou que os socialistas tinham pedido “um conjunto de informação que a coligação ficou de fornecer ao PS até ao dia de ontem” e que “isso aconteceu”.

“Fizemos esse esforço”, sublinhou, explicando que o que remeteu ao Largo do Rato foi “uma proposta concreta que visava atingir um acordo de princípios” para um “entendimento não apenas programático, mas orçamental” e com toda a informação disponível “em matéria financeira e macro-orçamental”.

O líder do PSD espera agora receber um documento que permita “traçar um guião” para a discussão.


Passos questiona vontade política de Costa para um acordo

Passos só se questiona se do outro lado haverá “vontade política”. “Creio que isto é decisivo”, ataca.

“Estamos, portanto, a aguardar que o PS nos possa fazer chegar um guião. Na certeza de que nós não nos podemos deitar a advinhar”, lançou Passos Coelho, esperando que o processo possa ser célere, apesar de não haver nenhuma data marcada para prosseguir a negociação.

Paulo Portas sublinhou mesmo que do lado da coligação foi feito foi um “esforço sério, denso, construtitvo, de aproximação de posições”, com uma proposta entregue “em tempo e de acordo com o que tinha sido combinado”, sendo certo que para o líder do CDS só faz sentido negociar com os partidos que estão dentro do 'arco da governação'.

“Os compromissos só podem ser feitos com partidos do arco europeu, ou seja, com o PS”, observou o centrista.

Leia aqui as propostas da PàF e aqui o que António Costa disse sobre elas.

margarida.davim@sol.pt